O transporte rodoviário e a estagnação da economia

O declínio da produção industrial fica evidente também no recuo do fluxo do transporte pesado nas rodovias: quedas de 3%, entre outubro de 2013 e outubro de 2014; de 2,2%, nos últimos 12 meses, em relação aos 12 meses anteriores; e de 2,7%, nos 10 primeiros meses do ano, em relação a igual período de 2013. São dados da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) e da Consultoria Tendências, que mostram um único aspecto positivo - o transporte pesado aumentou 1,1% entre setembro e outubro, depois de um recuo quase ininterrupto ao longo do ano.

O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2014 | 02h03

Os transportes pesam muito na economia. O segmento de transportes terrestres, em que se destaca o rodoviário, representa 17,5% do setor de serviços, que, por sua vez, tem peso de mais de dois terços no Produto Interno Bruto (PIB). Só o custo do transporte rodoviário de carga é estimado em 5,5% do PIB. A ABCR avalia os dados relativos a 16,3 mil km de rodovias operadas sob o regime de concessão, em 12 Estados: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

O fluxo de transporte pesado sofre, por exemplo, a influência do transporte da produção de autoveículos, que caiu 16% entre os primeiros 10 meses de 2013 e de 2014, influenciando os dados da ABCR. Isso não basta para explicar toda a queda. Outros setores da indústria também devem ter reduzido a movimentação de mercadorias pelas rodovias.

Já o fluxo de veículos leves cresceu em todos os períodos de comparação. Preços estáveis de gasolina e diesel, só alterados em novembro, estimulam o transporte rodoviário.

"No caso dos veículos leves, o aumento de 0,9% (entre setembro e outubro) está diretamente ligado ao comparativo de emprego e renda apontados pelo IBGE e Ministério do Trabalho", notou o economista Rafael Bacciotti, da Tendências. "Mesmo com o enfraquecimento do emprego, há um movimento, ainda que gradual, de expansão dos salários", assinalou.

O uso intenso de rodovias com pedágio não se deve apenas à evolução de emprego e renda, mas também à falta de boas alternativas, como o transporte ferroviário de massa.

O fluxo de veículos leves está mais associado ao consumo do que à produção. É o que mostra a diferença entre os fluxos de crescimento do transporte por veículos leves e pesados. A opção do governo pelo consumo aparece até nas rodovias.

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