O Universo é o espetáculo

Com o documentário da Nasa sobre o telescópio espacial Hubble, em blu-ray 3D, tenho diante dos olhos um cenário totalmente novo para meus olhos: o universo pontilhado de bilhões de estrelas e galáxias. É uma experiência única que nos dá a sensação de imersão total no espaço cósmico. O documentário Hubble 3D, filmado com a tecnologia de cinema Imax, por cinegrafistas-astronautas a bordo do ônibus espacial Atlantis, em sua missão STS-125, em 2009, registra os trabalhos de atualização do Hubble e mostra as melhores imagens do universo captadas diretamente do telescópio espacial. É a mais bela aula de cosmologia a que já assisti.

ETHEVALDO SIQUEIRA, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2011 | 03h05

O documentário, que já foi exibido recentemente em projeções de cinema digital Imax tridimensional em São Paulo, chegou há pouco ao mercado brasileiro, em blu-ray 3D. Por sorte, consegui adquirir um exemplar do disco e comecei a curtir seu conteúdo. Não me canso de contemplar galáxias tão originais como as Nebulosas de Hélix (Olho de Deus), da Águia ou a do Rato, verdadeiros berçários de estrelas, quasares, pulsares, cometas e muitos outros corpos celestes.

Se você, leitor, tiver a oportunidade de ver o filme nos cinemas brasileiros, não perca essa oportunidade. Se encontrar o blu-ray 3D, compre-o porque vale a pena, tanto para você como para seus filhos. Existe outro documentário da Nasa tão fascinante quanto o Hubble 3D, também disponível em blu-ray 3D e Imax: é o da Estação Espacial 3D.

Viagem ao cosmos. O documentário Hubble 3D foi patrocinado pela Nasa, produzido sob a direção de Toni Myers e narrado por Leonardo di Caprio.

O diretor Myers disse que sua experiência foi equivalente a uma viagem às estrelas, com a coleta de uma massa incrível de dados sobre os pontos mais distantes do universo, galáxias de todos os tipos possíveis e imagináveis e cenas do nascimento de alguns sistemas solares.

Nosso conhecimento do Universo se amplia a cada dia. Só com as fotos e informações obtidas pelo Hubble depois de um ano de atividade, a astronomia havia acumulado mais informações do que em toda a história anterior a 1990.

Ao longo de mais de 21 anos, o Hubble tem sido a grande porta de acesso da ciência ao universo, seja registrando o nascimento e a morte de estrelas, seja proporcionando uma visão muito mais completa e profunda de um conjunto de pelo menos duas mil galáxias, em vários estágios de evolução.

Buracos negros. Uma das mais interessantes contribuições do Hubble foi permitir aos cientistas o esclarecimento de algumas questões básicas sobre os buracos negros, cuja existência foi confirmada cientificamente pelo telescópio espacial. Até os anos 1980, era apenas uma hipótese ou conjectura. Hoje sabemos que todas as galáxias têm um buraco negro no centro. A única dúvida dos astrônomos é parecida com o paradoxo do ovo e da galinha: "Quem veio primeiro: o buraco negro ou a galáxia?"

Um buraco negro devora incessantemente gigantescas quantidades de matéria. A força gravitacional que gera é tão grande que nada escapa à sua atração. Até a luz que passa nas suas vizinhanças é capturada e engolida.

Mil benefícios. Além da descoberta de milhares de galáxias e outros corpos celestes, a contribuição do Hubble ao longo de mais de 21 anos no espaço é traduzida em milhares de benefícios diretos à humanidade, como, por exemplo:

a) Na área de microeletrônica, com os dispositivos CCDs (de charged-coupled devices) que revolucionaram a fotografia digital.

b) Na medicina, a ultrassonografia, que permite diagnósticos muito mais precisos de dezenas de doenças.

c) Nos novos instrumentos de observação astronômica.

d) Na área industrial, no aprimoramento de turbinas de vento e nos sistemas de purificação do ar, que eliminam os micróbios patogênicos e ajudam a preservar os alimentos.

Webb, o sucessor. O sucessor do Hubble será o telescópio espacial James Webb, que já está sendo construído e custará US$ 5 bilhões. Sua órbita será localizada entre a Lua e a Terra, numa distância muito maior do que a do Hubble, num ponto em que a atração gravitacional da Terra, da Lua e do Sol se anulam, numa órbita denominada L2.

Se tudo correr bem com os orçamentos da Nasa, o telescópio espacial Webb deverá ser posto em órbita no final de 2013, por um foguete Ariane 5, a partir da Base de Kourou, na Guiana Francesa, num projeto de colaboração internacional entre a Nasa, a Agência Espacial Europeia e a Agência Espacial Canadense. O nome do telescópio é uma homenagem a James Webb, administrador da Nasa, na primeira fase do Projeto Apollo, de 1961 a 1968.

O espelho principal do Webb, ultraleve, de berílio, terá 6,5 metros de diâmetro e distância focal de 131,4 metros. Suas quatro câmeras infravermelho ultra avançadas lhe permitirão coisas tão ambiciosas como identificar e fotografar objetos nos confins do universo, a 13 ou 14 bilhões de anos-luz de nós, como as primeiras galáxias ou objetos luminosos, formados logo após o Big Bang.

O telescópio espacial Webb poderá ainda fornecer dados essenciais sobre o modo de formação e evolução das galáxias, o nascimento de estrelas, as propriedades físicas e químicas dos sistemas planetários e pesquisar o potencial para formação da vida naqueles sistemas.

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