O varejo está caindo mais do que o esperado

As vendas do comércio varejista refletem o poder aquisitivo dos consumidores, a crença na preservação do emprego e a confiança numa economia relativamente estável ou em crescimento e que dispensa a necessidade de reservar o máximo de dinheiro possível para enfrentar dificuldades à frente. Daí o sinal ruim dado pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de junho, do IBGE, apontando para a queda de 0,7% das quantidades vendidas e de 0,2% da receita nominal das vendas, em relação a maio. A única explicação para resultado tão desconfortável - e pior do que o previsto pelas consultorias econômicas - está no fato de que as famílias ficaram em casa mais tempo para assistir aos jogos da Copa do Mundo. O número de dias úteis para o comércio caiu e muitas lojas tiveram movimento bem aquém do esperado.

O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2014 | 02h05

No comércio restrito, que exclui os segmentos de veículos, autopeças e material de construção, um único item foi positivo entre maio e junho: é o item que engloba hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que cresceu 0,6%. As pessoas, afinal, continuam a comer e a beber.

Em contrapartida, caíram as vendas de combustíveis e lubrificantes (-2,3%), tecidos, vestuário e calçados (-1%), móveis e eletrodomésticos (-2%), artigos farmacêuticos (-0,9%), equipamento e material de escritório e informática (-4,2%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,5%). Maior foi o recuo das vendas no comércio ampliado: veículos e peças (-12,9%) e material de construção (-3,9%).

Que o comércio varejista quase parou em junho não há dúvida. O problema é que a tendência já não era favorável. Ainda houve crescimento das vendas, comparativamente ao ano passado, mas este foi de apenas 0,8% no primeiro semestre e de 4,9% nos últimos 12 meses.

Na comparação interanual, o crescimento nominal das vendas baixou de 11,5% em maio para 7,4% em junho, reforçando os sinais de desaceleração do varejo. É provável que haja alguma recuperação de vendas, principalmente a partir deste mês - o comércio de veículos, por exemplo, mostrava uma reação, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Mas as consultorias econômicas preveem que a desaceleração do consumo tende a se manter até o fim do ano.

A antecipação do 13.º salário para os aposentados, neste mês, não bastará para dar um alívio significativo ao comércio varejista.

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