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O vírus no comando

Economia global pode sofrer novo baque se EUA voltarem com restrições como a Europa

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2020 | 04h00

Uma aguda ansiedade está ressurgindo entre investidores globais à medida que uma segunda onda de disseminação de coronavírus toma conta da Europa e dos Estados Unidos, alimentando o temor de um “double dip” – ou duplo mergulho – da recessão no quarto trimestre de 2020, provocado por novas medidas de restrição à mobilidade social.

Na Europa, por exemplo, o sentimento é de que o vírus está novamente no controle e que a reação tardia das autoridades de vários países à ameaça de uma segunda onda de infecção deixa no ar a seguinte dúvida: de quanto poderá ser o tombo do PIB da região neste último trimestre do ano?

E se é verdade que a zona do euro e outros países do continente, como o Reino Unido, vão enfrentar uma contração do PIB, mesmo que sua magnitude seja uma incógnita neste momento, poderá a economia mundial escapar ilesa? Ou será igualmente arrastada num círculo perverso de aumento de casos da covid-19, novas medidas de distanciamento social e, como consequência, paralisação da atividade econômica?

No último fim de semana, o Reino Unido anunciou a volta de restrições, como o fechamento de lojas de serviços não essenciais e centros de lazer, enquanto restaurantes e bares só poderão funcionar para entrega, pelas próximas quatro semanas. Portugal impôs lockdown para 70% da sua população. O governo italiano disse que vai adotar toque de recolher, ensino remoto obrigatório e limitação de viagens entre regiões do país.

Antes, a França e a Alemanha já haviam anunciado um endurecimento de medidas de distanciamento social, juntando-se a outros países, como Grécia, Irlanda, Bélgica e Áustria, que haviam declarado o fechamento de boa parte de suas economias.

Por enquanto, as medidas adotadas por esses países ainda não são tão duras ou restritivas em comparação com o auge da pandemia do coronavírus, em março e abril, quando a economia da Europa praticamente parou e o PIB da região sofreu um forte tombo.

Mas se essas medidas não forem suficientes para achatar novamente a curva de contaminação, levando a um aumento de internações hospitalares e de mortes, o temor é de que o próximo passo seja um lockdown mais amplo como no auge da pandemia. Aí o impacto será mais amargo.

Nos cálculos de James Smith, economista para mercados desenvolvidos do banco ING, as medidas anunciadas pelo Reino Unido vão corroer de 6% a 7% o PIB do país este mês. Segundo ele, se essas medidas forem revogadas em dezembro, a queda no PIB do Reino Unido será de 1,5% no quarto trimestre. Mas se essas restrições seguirem em vigor por mais tempo, o tombo poderá ser de mais de 2%.

“Os lockdowns mais recentes serão menos debilitantes economicamente do que os de seis meses atrás e acontecem quando a economia de regiões importantes do mundo continua se expandindo”, diz Ben May, diretor global macro da consultoria Oxford Economics. “Ainda assim, a queda do PIB trimestral em várias economias europeias de até 3% parece provável neste quarto trimestre.”

Para os economistas do banco JP Morgan, um choque negativo de 1 ponto porcentual no PIB da zona do euro neste trimestre poderá reduzir o crescimento da economia do resto do mundo em 0,5% ao longo de quatro trimestres. Após o anúncio de lockdown parcial em vários países, os analistas do banco Barclays revisaram a estimativa de desempenho para o PIB da zona do euro no quarto trimestre de um crescimento de 1% para uma queda de 2,3% em comparação com o trimestre anterior.

Nos EUA, o aumento de casos de coronavírus não levou, até o momento, a adoção pelas autoridades da maioria dos Estados americanos de restrições à mobilidade social. Assim, os dados mais recentes de atividade econômica mostram que a desaceleração da economia americana será menos drástica do que na zona do euro neste quarto trimestre.

Todavia, há quem acredite que os EUA estão apenas algumas semanas atrás da Europa na adoção de semelhantes restrições, uma vez que o número de infecções voltou a atingir o recorde de mais de 100 mil em um único dia.

Se vários Estados americanos seguirem os europeus e endurecerem as regras de distanciamento social, a economia mundial poderá sofrer novo baque. Nesse cenário, a pressão por mais estímulo fiscal será enorme. 

*COLUNISTA DO BROADCAST

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