Obama aceita elevar teto da dívida por curto prazo

Medida aliviaria a pressão do prazo-limite de 2 de agosto e daria mais tempo para negociação de um acordo sobre ajuste fiscal para os próximos dez anos

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / WASHINGTON

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que está disposto a aceitar a elevação do teto da dívida pública por um curto período, como meio de dar mais tempo para a negociação de um acordo sobre o ajuste fiscal para os próximos dez anos.

A concessão foi apresentada por Obama durante reuniões, em separado, com os líderes democratas e republicanos do Congresso. Os encontros sinalizaram a retomada das negociações entre as duas bancadas e a Casa Branca depois de cinco dias de suspensão, por causa do impasse em torno do acordo fiscal.

"Ainda há tempo de se fazer algo significante se os dois partidos estiverem dispostos a se comprometerem. Porque os parâmetros do que deve ser feito são conhecidos, especialmente entre os participantes das negociações com o presidente na semana passada", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. sobre a decisão presidencial.

Faltando apenas 13 dias de prazo para o aumento do teto da dívida pública, hoje em US$ 14,3 trilhões, o cenário se mostrava pouco claro sobre qual ideia prevalecerá. Em 3 de agosto, se não houver um plano aprovado, o Departamento do Tesouro deverá anunciar a suspensão de pagamentos federais. Para o dia seguinte, está agendado um leilão de US$ 90 milhões em títulos do Tesouro e, inevitavelmente, o mercado exigirá remuneração maior por temer um calote. Essa atitude deverá se disseminar no mercado de crédito do país e provocar maior contração de consumo e investimento, podendo levar o país a uma nova recessão a partir de agosto.

A aposta da Casa Branca continua na proposta da chamada "Gangue dos Seis", grupo de senadores republicanos e democratas. O plano prevê redução de US$ 3,7 trilhões na dívida pública nos próximos dez anos. Haveria um corte imediato de US$ 500 milhões em despesas públicas e a reforma do código tributário, permitindo o aumento de US$ 1 trilhão na receita. A amplitude da proposta e suas inúmeras lacunas, porém, dificultam uma rápida negociação e posterior tramitação no Congresso.

Ontem, a líder da minoria democrata na Câmara, deputada Nancy Pelosi, disse haver "alguns princípios bons na proposta". Mas avisou que não vai apoiar cortes nos benefícios da Previdência e dos programas de assistência médica a carentes e idosos. Diante dessas resistências em sua base e do prazo de apenas 13 dias, a Casa Branca estuda um "plano B" para elevar o teto da dívida temporariamente.

A alternativa estaria na proposta dos senadores Mitch McConnell, líder da minoria republicana, e Harry Reid, líder da maioria democrata na Casa. Originalmente, esse plano prevê o aumento de US$ 2,5 trilhões no teto da dívida pública em 2012 e o corte de US$ 1,5 trilhão nas despesas públicas.

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