Obama admite problema, mas não diz o que fará com o déficit

Presidente americano fala em grande ''diferença ideológica'' entre as propostas do governo e da oposição

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Um dia depois de a Standard&Poor"s e o governo chinês terem advertido para o risco apresentado pelo elevado déficit americano, a administração de Barack Obama saiu em defesa das ações do governo, apesar das divergências ideológicas com a oposição republicana.

"Todos concordam que há um problema. Todos concordam sobre quanto devemos reduzir do déficit no médio prazo. A grande questão a ser resolvida é sobre como faremos isso. Eu não vou mentir para vocês que existe uma grande diferença ideológica no momento e não será fácil. Acho que precisamos agir de uma forma balanceada", afirmou o presidente para estudantes da Universidade da Virginia.

Obama apresentou na semana passada um plano para reduzir o déficit em US$ 4 trilhões ao longo dos próximos 12 anos. A Câmara dos Deputados, controlada pela oposição, propôs uma diminuição de US$ 4,4 trilhões em dez anos. A grande diferença está em como alcançar esse objetivo. Os democratas querem uma mistura de aumento nos impostos e corte nos gastos. Os republicanos defendem apenas o segundo mecanismo.

Na avaliação da S&P, os EUA têm, "em relação aos outros países avaliados como AAA, o que consideramos um déficit orçamentário muito elevado e um crescente endividamento do governo, além de não estar claro como esses problemas serão superados". Segundo a agência, um dos maiores obstáculos para os EUA será um acordo entre o governo e a oposição para a aprovação do orçamento de 2013, que será um ano eleitoral.

A China, principal credora dos EUA com mais de US$ 1 trilhão em títulos do Tesouro americano, disse, em nota do Ministério das Relações Exteriores, "esperar que o governo dos EUA adote políticas responsáveis e medidas para proteger o interesse dos investidores".

"Na verdade, acredito que as coisas estão melhores do que estavam. E não há risco de os EUA perderem a nota de crédito AAA", disse o secretário do Tesouro, Timothy Geithner.

Segunda a S&P, essa chance é de uma em três. "Temos de observar o que está acontecendo em Washington. Os dois lados, democratas e republicanos, concordam com o presidente que é necessário implementar reformas para reduzir o déficit no longo prazo", acrescentou.

O otimismo de Obama e Geithner não foi compartilhado pela oposição. O deputado Eric Cantor, uma das principais lideranças republicanas no Congresso, disse estar "decepcionado porque mais uma vez o presidente não ofereceu detalhes sobre como pretende colocar os EUA nos trilhos para reduzir o déficit".

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