Obama ameaça vetar plano republicano

Proposta da oposição para elevar teto da dívida não é consenso nem no partido; democrata afirma que ela chegará ''morta'' ao Senado

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE/ WASHINGTON

O conflito no Congresso dos Estados Unidos em torno do aumento do teto da dívida pública terá hoje seu ápice na votação das diferentes propostas do Senado democrata e da Câmara dos Deputados republicana em seus respectivos plenários.

O presidente americano, Barack Obama, advertiu o Congresso, por meio de um comunicado, que pode vetar o projeto do líder republicano na Câmara, John Boehner, caso seja aprovado também pelo Senado.

A hipótese foi descrita como "impossível" por seu secretário de Comunicações, David Plouffe. Porém, o recado da Casa Branca foi reforçado mais uma vez.

Boehner corria ontem atrás de votos da própria bancada para garantir a passagem de seu projeto na Câmara. Mas cerca de 20 colegas de partido se disseram indispostos a dar o aval, seja por considerar o plano "tímido demais" ou incapaz de evitar o rebaixamento da classificação da dívida do país pelas agências de risco.

O líder republicano propôs o aumento de apenas US$ 1 trilhão no teto da dívida, valor suficiente para evitar a suspensão dos pagamentos até o final deste ano.

"Parem de choramingar e de reclamar e venham juntos como conservadores", conclamou o deputado Eric Cantor, republicano com fama de truculento, ao defender a proposta de Boehner à bancada republicana. "Esse projeto estará morto na sua chegada ao Senado, se conseguir passar na Câmara", atacou o senador democrata Harry Reid.

Com apoio explícito da Casa Branca, a proposta de Reid prevê o aumento de US$ 2,4 trilhões no teto da dívida, um valor suficiente para o governo Obama atravessar o ano eleitoral de 2012 sem os atuais riscos.

Reid limpou do texto todas as medidas rejeitadas anteriormente pelas duas bancadas, para facilitar também a tramitação na Câmara. Porém, ainda carecia ontem dos votos republicanos necessários para aprová-la no plenário.

Alternativa. A Moody"s Investor Service, com sede em Nova York, alertou ontem seus clientes sobre as ameaças do atual impasse em Washington aos fundos de investimento. Com o apoio de 20 colegas republicanos, o senador Pat Toomey apresentou ontem um projeto de lei para determinar três prioridades ao Departamento do Tesouro caso não haja autorização do Congresso para o aumento do teto da dívida, hoje em US$ 14,3 trilhões.

A suspensão de pagamentos, segundo o texto de Toomey, não poderá atingir os compromissos da dívida, os benefícios da Previdência Social (estranhamente, um dos cortes exigidos pelos republicanos) e o soldo dos militares. "Seria muito irresponsável minimizar o impacto da suspensão de pagamentos."

Mesmo sob maior pressão do Fundo Monetário Internacional (FMI) - que fez ontem novos alertas para o risco de a crise econômica mundial se aprofundar- e da Casa Branca em favor de um acordo razoável até o próximo dia 2, democratas e republicanos mostraram ontem mais uma vez que uma solução de consenso está ainda longe de ser alcançada.

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