Obama anuncia reforma financeira ''radical''

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem a mais ampla revisão de regras para o mercado financeiro americano desde os anos 1930. No centro do plano está o Federal Reserve (Fed, banco central americano), que terá "superpoderes" para supervisionar as maiores instituições financeiras e intervir caso sejam identificados riscos sistêmicos. E o plano prevê ainda a criação de uma agência para proteger o consumidor de produtos financeiros. Veja também: Plano "depende de Fed fortalecido" Bernanke será "superautoridade" Nas novas regras, o diabo está nos detalhes Regulação deve afetar fluxo para emergentes "Madoff não existiria no Brasil" Bancos dos EUA devolvem ajuda recebida do Tesouro "Não queremos bugigangas", diz Néstor Kirchner Comissão Europeia questiona o "Buy China"   As medidas do Brasil contra a crise As medidas do empregoDe olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise"Meu governo propõe hoje uma reforma radical na regulação do sistema financeiro, uma transformação numa escala que não era vista desde as reformas subsequentes à Grande Depressão", afirmou Obama, em discurso na Casa Branca. Para o governo americano, as décadas de "erros e oportunidades perdidas" e a falta de um marco regulatório apropriado foram os grandes vilões da atual recessão. Segundo Obama, o sistema financeiro foi construído sobre "areia movediça". E o apetite pelo risco desenfreado levou as entidades de crédito "a diminuir seus padrões para atrair novos mutuários". E, quando os mercados começaram a desmoronar, a falha não foi dos indivíduos, "foi uma falha de todo o sistema". "Chegou a hora de mudar isso", acrescentou. Mas Obama garantiu que as novas regras não tirarão o incentivo à inovação. "As reformas vão permitir que nossos mercados impulsionem a inovação e desencorajem abusos." E garantiu que o sistema não será engessado. O objetivo é estabelecer um "cuidadoso equilíbrio". "O livre mercado foi e continuará a ser o motor do progresso americano." Mesmo porque, segundo Obama, o setor privado é mais eficaz para criar empregos do que o público.Para o presidente americano, o plano não só procura fazer com que os reguladores se preocupem com a solidez das instituições, mas também, "pela primeira vez, com a estabilidade do sistema em seu conjunto".ALICERCES SÓLIDOSObama afirma que seu governo se propôs a criar alicerces mais sólidos baseados no uso de energias renováveis, na melhora da educação e numa reforma do sistema de saúde que dê cobertura médica universal. "Esses novos alicerces também exigem mercados financeiros robustos, vibrantes, que operem de forma transparente e justa para proteger os consumidores e a economia da decomposição dos anos recentes." Nesse contexto, o Fed terá "novas competências e responsabilidades para regular as companhias bancárias e outras grandes firmas que, se fracassarem, põem em risco toda uma economia". Obama propôs ainda "uma nova e poderosa agência com um único trabalho: o de proteger os consumidores". "Essa nova agência terá o poder de fixar padrões de modo que as companhias concorram ao oferecer produtos inovadores que os consumidores de fato queiram e entendam". AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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