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Obama apoia Geithner, mas deputado quer sua renúncia

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje que a irritação pública com a questão dos controversos bônus pagos pela seguradora American International Group (AIG) é justificável, mas deve ser canalizada para encontrar uma maneira de assegurar que isso não se repita. Em comentários na Casa Branca antes de embarcar para uma viagem à Califórnia, Obama disse que o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, tem seu apoio.

NATHÁLIA FERREIRA, GUSTAVO NICOLETTA E RICARDO GOZZI, Agencia Estado

18 de março de 2009 | 15h48

"Tenho completa confiança no Tim Geithner", afirmou Obama. "Ninguém está trabalhando mais duro que ele, ele está tomando todas as ações corretas em termos de lidar com uma situação ruim." Obama viajou acompanhado por Geithner, pela chefe do Conselho de Consultores Econômicos, Christina Romer, e pelo diretor do Conselho Econômico Nacional, Larry Summers.

Hoje, o deputado norte-americano Connie Mack, do Partido Republicano, afirmou que Geithner deveria ser demitido ou renunciar ao cargo. "A experiência Timothy Geithner foi um desastre", disse Mack em um comunicado. "As notícias desta semana sobre o escândalo dos bônus da AIG é apenas o fiasco mais recente durante seu mandato e ele perdeu a confiança do povo americano." Mack referia-se ao pagamento de US$ 165 milhões em bônus a funcionários da AIG na semana passada. A empresa já recebeu mais de US$ 170 bilhões em auxílios do governo dos EUA e a notícia da distribuição dos bônus gerou indignação em todo o país.

Geithner foi confirmado como secretário do Tesouro no final de janeiro, apesar de ter deixado de pagar milhares de dólares em impostos em anos anteriores. Posteriormente ele pagou os impostos que deveriam ter sido recolhidos. Diversos líderes do Congresso à época afirmaram que Geithner era a melhor escolha para comandar o Departamento de Tesouro por conta de sua experiência em lidar com a crise financeira como presidente do Federal Reserve (banco central) em Nova York.

O presidente Obama disse que buscará uma autoridade legal sobre o sistema financeiro que dará ao governo federal poder para intervir em questões contratuais, tais como a que permitiu que a AIG pagasse os bônus. O presidente disse que falou com o presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, Barney Frank, esta manhã, sobre conceder a ele uma "autoridade de resolução" similar ao poder que a Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC) tem sobre as instituições de poupança que regula. Isso permitiria que o governo potencialmente anulasse contratos que puder provar que não atendem ao bem de entidades reguladas, como a AIG.

Lista de nomes

Os congressistas americanos querem saber os nomes dos executivos da AIG que receberam US$ 165 milhões em bônus, numa operação que até mesmo o principal executivo da companhia qualificou hoje como "repugnante". O presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, Barney Frank, do Partido Democrata, disse que pediria a Edward Liddy, presidente do AIG, os nomes dos executivos beneficiados com os bônus. Caso a companhia não atenda ao pedido, a AIG será intimada pelo Congresso dos EUA a fornecer a identidade dos executivos, prosseguiu Frank.

Os comentários vieram à tona pouco antes de um depoimento de Liddy perante a subcomissão de mercados de capital da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara. Em depoimento preparado, Liddy disse que "a fria realidade da competição" influenciou a decisão da seguradora de pagar US$ 165 milhões em bônus aos executivos.

"Por causa de determinadas obrigações legais, a AIG recentemente pagou uma série de compensações, algumas das quais eu considero repugnantes", diz Liddy no texto preparado. Mas a opinião de Liddy, que assumiu a AIG em setembro passado como parte do programa de resgate da seguradora pelo governo, pouco contribuiu para aplacar a revolta de congressistas democratas e republicanos. Frank qualificou o pagamento como "totalmente injustificado". As informações são da Dow Jones.

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