Obama aposta em nova proposta contra impasse

Negociação para elevar o teto da dívida americana avança, com fórmula criada por grupo de seis senadores dos partidos Democrata e Republicano

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / WASHINGTON

A apresentação de uma nova proposta de aumento do teto da dívida pública e de ajuste fiscal levou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a considerá-la um "passo muito significativo" para um "potencial consenso" entre os partidos. A proposta foi negociada por um grupo de seis senadores republicanos e democratas, conhecido como "gangue dos seis", e pode superar o impasse nas negociações entre o governo e o Congresso.

A fórmula recebeu o apoio de Obama especialmente por envolver o aumento de US$ 1 trilhão na arrecadação no esforço para cortar a dívida federal americana em US$ 3,7 trilhões nos próximos dez anos. "Temos agora um grupo bipartidário de senadores que concorda com um acordo equilibrado", disse Obama ontem, em rápida aparição na sala de imprensa da Casa Branca.

A nova proposta foi apresentada como uma alternativa aos dois projetos em discussão no Congresso americano.

A proposta da Câmara, que prevê corte de US$ 111 bilhões nas despesas públicas em 2012 e o contingenciamento de 19,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em gastos públicos - hoje, US$ 2,8 trilhões - nos próximos dez anos, foi aprovada por 226 contra 167 votos na tarde de ontem. É inteiramente repudiada por Obama, que se comprometeu a vetá-la, se aprovada pelo Senado. O projeto envolve ainda uma emenda à Constituição para impedir iniciativa da Casa Branca de incluir o aumento de tributos no ajuste fiscal.

"Esse não é um acordo capaz de passar em ambas as casas do Congresso nem de ser considerado equilibrado. Mas eu entendo a necessidade deles (os líderes republicanos da Câmara) em testá-lo", ironizou Obama.

A segunda fórmula servirá de estepe para Obama, em caso de insucesso do projeto da "gangue dos seis" até o início de agosto. Está em discussão pelos senadores Mitch McConnell, líder da minoria republicana, e Harry Reid, líder da maioria democrata, e prevê o aumento de US$ 2,5 trilhões no teto da dívida pública em 2012, com corte de despesas públicas de apenas US$ 1,5 trilhão nos próximos dez anos.

Como Obama exige um esforço fiscal maior, próximo a US$ 4 trilhões até 2022, a ser obtido também pelo aumento da arrecadação, ele a considerou "mínima". Porém, não foi descartada pois eleva o teto da dívida pública, hoje de US$ 14,3 trilhões - a prioridade do momento.

Dificuldades. Obama não escondeu ontem as dificuldades em fazer passar a proposta da "gangue dos seis" na Câmara e no Senado, seguindo os regimentos das duas casas, até o dia 2, prazo dado pelo Tesouro para elevar o teto da dívida pública. Se o Congresso não aprovar o aumento, o Tesouro deverá suspender o pagamento de compromissos (default) pela primeira vez em sua história.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, sugeriu ontem ser possível esticar o prazo. Obama nada mencionou a respeito e preferiu partir para recomendações. "Não temos mais tempo para gestos simbólicos. É hora de resolver esse problema", apelou. "Os mercados estão confiantes de que a liderança aqui em Washington não empurrará a economia para o precipício."

Os líderes dos dois partidos começarão hoje as consultas às suas bases sobre a proposta da "gangue dos seis", cientes das dificuldades nas bancadas. Os democratas mais liberais devem resistir ao corte imediato de US$ 500 bilhões nas despesas públicas e às reformas nos sistemas de Previdência e de assistência médica. Na seara tributária, os republicanos tendem a armar barricadas contra a eliminação permanente da redução dos impostos para os americanos mais ricos e as grandes companhias - medida que custa US$ 1,7 trilhão aos cofres públicos.

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