Obama: ausência de regime regulatório levou à catástrofe

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje que a regulação inadequada, aliada a uma vasta cultura de ganância e à explosão de instrumentos financeiros complexos, induziram as instituições a tomar riscos excessivos e ajudaram a provocar a crise econômica atual. O remédio, disse ele, é "uma extensa reforma do sistema regulatório financeiro" em uma escala não vista desde a Grande Depressão, nos anos 1930. "A ausência de um regime regulatório em funcionamento sobre muitas partes do sistema financeiro - e sobre o sistema como um todo - levou-nos para perto da catástrofe", disse ele.

NATHÁLIA FERREIRA, Agencia Estado

17 de junho de 2009 | 14h51

Obama afirmou que grandes instituições financeiras terão de atender padrões mais elevados, com exigências mais severas de capital e liquidez para aumentar a resistência delas. A nova autoridade do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) será complementada por um conselho regulador de supervisão para "lidar com questões que não se encaixam nitidamente em um mapa organizacional".

Para fechar brechas na regulação e impedir que os bancos busquem a agência regulatória menos exigente possível, Obama confirmou que o Escritório de Supervisão de Poupança será fechado e disse que apenas uma carta-patente bancária federal será oferecida. Ele informou que instrumentos derivativos, tais como CDS, estarão sujeitos à regulação maior e os administradores de fundos de hedge (proteção) serão forçados a se registrar no órgão regulador do mercado mobiliário dos EUA (a SEC).

"Nós fomos convocados a colocar em prática reformas que permitam que nossas melhores qualidades floresçam, ao mesmo tempo em que mantêm os piores traços sob controle", disse Obama. "Nós fomos convocados a reconhecer que o mercado livre é a mais poderosa força geradora de nossa prosperidade, mas não é uma licença livre para ignorar as consequências de nossas ações."

Obama respondeu tanto aos críticos que disseram que sua reforma vai longe demais quanto aos que disseram que não vai longe o suficiente. Ele disse que seria um "erro" se desfazer totalmente do antigo sistema, optando, ao contrário, por "localizar as fraquezas estruturais" por trás da crise atual. Ao mesmo tempo, ele afirmou que "mudanças significativas" ainda são necessárias. "Não queremos suprimir a inovação. Mas estou convencido de que, ao definir regras claras do caminho e assegurar a transparência e negociações justas, vamos realmente promover um mercado mais vibrante." As informações são da Dow Jones.

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