Obama corre para buscar acordo fiscal

Presidente aprovar previamente a prorrogação doa atuais benefícios à classe média

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h11

Pressionado pelo tempo demasiado curto para o Congresso chegar a um consenso sobre o pacote de ajuste nas contas públicas, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a aprovação prévia da prorrogação dos atuais benefícios fiscais para a classe média. Com a iniciativa, Obama quer excluir essa renúncia fiscal específica da principal barganha entre republicanos e democratas: o fim do imposto de renda reduzido para os americanos ricos e o corte nos gastos sociais. Essa negociação mais pesada, para o presidente, poderia ser deixada para 2013.

"Minha esperança é de ter (o acordo fiscal) pronto antes do Natal", afirmou Obama em um evento montado especialmente pela Casa Branca. "Mas o ponto no qual, em teoria, já temos um acordo completo é (a prorrogação da redução de) o imposto da classe média. (A aprovação dessa medida) nos daria mais tempo, no próximo ano, para trabalharmos num amplo plano para reduzir o nosso déficit e simplificar o nosso sistema tributário."

Obama lançou essa campanha em uma cerimônia replicada no Twitter. A Casa Branca selecionou pessoas que haviam perguntado, em sua página na internet, sobre o impacto do fim do benefício fiscal em suas vidas, como a aposentada Lyn Lyon, da Virgínia. Nos cálculos dos conselheiros econômicos de Obama, uma família com ganho anual de US$ 50 mil deixou de recolher US$ 3.600 ao ano por causa dos atuais benefícios. Se extintos, recolherão US$ 2.200 mais.

Caravana. Assim como nas negociações sobre a mesma questão, no fim de 2011, Obama sairá pelo país para motivar os cidadãos a pressionarem seus congressistas a prorrogar o benefício para a classe média. Na sexta-feira, fará sua primeira parada na vizinhança de uma fábrica no subúrbio da Filadélfia. Mas ainda ontem, ele faria um movimento mais ambicioso: a tentativa de convencer 14 comandantes de grandes empresas americanas a apoiar suas propostas na área fiscal e a colocar o peso de seus lobbies no Congresso em favor de um acordo. O encontro estava marcado para as 16h45 (19h45, no horário de Brasília).

A proposta de Obama de aprovar, o quanto antes, a prorrogação dos benefícios tributários para classe média foi bem recebida por parte da bancada republicana no Congresso. O deputado federal republicano Tom Cole rompeu com a liderança de seu partido para aderir a essa sugestão e apelou a seus colegas para seguirem o mesmo caminho. Mas o republicano John Boehner, presidente da Câmara, preferiu apostar na conclusão de um amplo acordo fiscal.

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