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Obama dá mais 4 anos a Bernanke

Confirmação de mais um mandato no Fed é aposta na atual política monetária e na recuperação da economia

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nomeou Ben Bernanke para mais um mandato de quatro anos à frente do Fed, o banco central americano. Ao manter Bernanke no cargo, o presidente americano sinaliza continuidade na política monetária, como forma de não interromper os primeiros sinais de recuperação da economia americana."Como um especialista nas causas da Grande Depressão, tenho certeza de que Ben nunca imaginou que seria parte do time responsável por evitar uma outra. Por causa de sua formação, seu temperamento, sua coragem e sua criatividade, isso foi exatamente o que ele conseguiu fazer, e é por isso que vou nomeá-lo para mais um mandato no Fed", disse Obama. O presidente americano fez o anúncio em Martha?s Vineyard, ilha do Estado de Massachusetts onde passa uma semana de férias com a família. Ele elogiou a "calma e sabedoria" de Bernanke, que estava a seu lado.O presidente do Fed tem um grande desafio: terá de começar a apertar a política monetária, por causa do potencial inflacionário de suas medidas heterodoxas e do enorme déficit projetado. Mas Bernanke terá de calibrar muito bem as medidas, para não abortar a incipiente recuperação da economia. "Eu me comprometo com o senhor e com o povo americano a usar todas as minhas habilidades para ajudar a construir uma base sólida para o crescimento e a prosperidade, em um ambiente de estabilidade de preços", disse Bernanke. Republicano, ele foi nomeado em 2006 pelo ex-presidente George W. Bush para suceder Alan Greenspan. Considerado um tecnocrata, adotou medidas heterodoxas para evitar que a economia americana mergulhasse numa recessão prolongada. Reduziu as taxas de juros para perto de zero e adotou medidas de "afrouxamento quantitativo", para aumentar a oferta de crédito, garantir o mercado de securitização de recebíveis e ampliar a liquidez. Sua criatividade e audácia foram elogiadas.Bernanke ainda precisa ter sua nomeação confirmada no Senado e deve enfrentar muita oposição no Congresso - principalmente por ter demorado a reconhecer a bolha imobiliária e pelas decisões polêmicas sobre quais instituições financeiras salvar. O governo resgatou a AIG e a Bear Stearns, mas deixou o Lehman Brothers quebrar, o que desencadeou o pânico no mercado em outubro do ano passado. Mesmo assim, espera-se que seja confirmado. O senador Chris Dodd, líder do comitê de Finanças, que vai chefiar as audiências de confirmação de Bernanke, fez elogios cautelosos ao chefe do Fed. "Bernanke demorou muito para agir nos estágios iniciais da crise de hipotecas, mas em última instância demonstrou liderança. A renovação de seu mandato manda a mensagem certa para os mercados", disse Dodd.Nos últimos dias, vinha crescendo a especulação sobre a permanência ou não de Bernanke. Por isso, Obama resolveu se antecipar e anunciar a nomeação cinco meses antes do fim do mandato. A nomeação foi encarada como uma amostra de estabilidade na política monetária, o que agradou ao mercado. "Com a renomeação, não esperamos nenhuma mudanças política monetária no curto prazo", disse Brian Bethune, economista-chefe para os EUA da IHS Global Insight . Obama prometeu manter o Fed "forte e independente" e advertiu que a economia precisa de "um longo caminho" para a recuperação completa. "Por isso, precisamos que Ben continue a fazer o trabalho que vem fazendo, e não podemos voltar a ter uma economia baseada em bancos excessivamente alavancados, lucros inflacionados e cartões de crédito estourados."A nomeação foi recebida com otimismo no mercado e elogios de economistas. Mas também houve críticas. "É uma decisão míope", disse Stephen Roach, presidente do conselho do Morgan Stanley Ásia, em artigo publicado ontem no Financial Times. Segundo ele, apesar de Bernanke merecer crédito pela criatividade e coragem na formulação do programa agressivo de afrouxamento monetário, é importante lembrar que suas ações anteriores à crise foram igualmente importantes para possibilitar a mais severa crise desde 1930. "É como se um médico cometesse um erro com seu paciente, e depois fosse elogiado por descobrir uma cura milagrosa para isso - talvez o paciente precise de um novo médico."Alan Greenspan teve seu mandato renovado por quatro vezes e era uma celebridade à frente do Fed. Hoje em dia, há um olhar mais crítico em seu papel, ao não evitar a bolha imobiliáriaObama também prometeu aprovar a reforma do sistema financeiro. "Vimos como falta de regulamentação e supervisão levam a uma extraordinária riqueza para alguns poucos, e muita dor para todo o resto", disse. "Portanto, apesar da resistência em Wall Street, vamos aprovar as reformas necessárias para proteger consumidores, investidores e todo o sistema financeiro."

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