portfólio

E-Investidor: qual o melhor investimento para 2020?

Obama dá prazo para montadoras justificarem novos recursos

Presidente norte-americano diz que governo não vai deixar indústria automobilística 'simplesmente desaparecer'

Regina Cardeal, da Agência Estado,

30 de março de 2009 | 13h03

Alertando que as montadoras não podem depender de uma linha "sem fim" de dólares dos contribuintes, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu nesta segunda-feira, 30, à General Motors e à Chrysler um breve período para que elaborem planos que possam justificar novos empréstimos do governo. "Não podemos, não devemos e não iremos deixar nossa indústria automobilística simplesmente desaparecer", disse Obama em texto divulgado pela Casa Branca.

 

Veja também:

especialDe olho nos sintomas da crise econômica 

especialDicionário da crise 

especialLições de 29

especialComo o mundo reage à crise 

 

"O que estamos pedindo não é difícil", disse. "Exigirá escolhas duras pelas companhias. Exigirá que sindicatos e trabalhadores que já fizeram concessões dolorosas façam ainda mais. Exigirá que os credores reconheçam que não podem manter a perspectiva de socorro sem fim do governo", afirma Obama.

 

As declarações do presidente foram feitas um dia depois de seu governo ter afastado o executivo-chefe da General Motors Rick Wagoner e ter rejeitado os planos de reestruturação com os quais GM e Chrysler esperavam obter mais um injeção de recursos do governo. Em vez disso, a Casa Branca está dando à GM 60 dias para apresentar sua estratégia de viabilidade. A Chrysler, que está em situação pior, tem apenas um mês para fechar uma parceria com a Fiat, da Itália. O governo afirma que uma concordata estruturada "cirúrgica" pode ser a única saída para as duas companhias. Obama reiterou esta perspectiva hoje.

 

"Eu sei que quando as pessoas ouvem a palavra 'concordata' podem ficar um pouco perturbadas, então deixe-me explicar o que eu quero dizer", afirmou Obama. "O que estou falando é usar nossa estrutura legal existente como um instrumento, com o apoio do governo dos EUA, para tornar mais fácil para que General Motors e Chrysler rapidamente se livrem das dívidas antigas que pesam sobre elas para que possam se reerguer e trilhar o caminho do sucesso; um instrumento que podemos usar, mesmo que os trabalhadores continuem em seus empregos construindo carros que estão sendo vendidos".

 

As empresas, pressionadas pela desaceleração econômica e anos de dependência dos utilitários, receberão um montante não especificado de capital de giro do governo enquanto elaboram os novos planos.

 

Sem um acordo com a Fiat, o governo informou que a Chrysler não receberá mais dinheiro do contribuinte. A situação da GM é menos crítica - o governo manifestou confiança em que pode sobreviver sem uma ação mais drástica. Para isso, Wagoner foi obrigada a renunciar, abrindo caminho para que o diretor de operações Frederick "Fritz" Henderson assuma a presidência da empresa.

 

A GM e a Chrysler receberam um total de US$ 17,4 bilhões em empréstimos do governo em dezembro e pediram mais US$ 22 bilhões para se manterem operando este ano. A força-tarefa de Obama para montadoras avaliou os planos das montadoras para julgar se merecem recursos adicionais. O veredicto divulgado domingo foi de que, em sua forma atual, os planos não justificam a entrega de mais dinheiro dos contribuintes às empresas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.