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Obama diz que cortes nos gastos podem provocar outra recessão

Presidente fez uma visita à sede do Facebook e aproveitou para promover proposta de redução do déficit orçamentário dos EUA 

Reuters,

20 de abril de 2011 | 19h14

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quarta-feira acreditar que a economia do país possa voltar a uma recessão caso os gastos do governo tenham cortes muito grandes.

Obama fez o comentário durante uma visita à sede do Facebook, que ele usou para promover sua proposta de reduzir o déficit orçamentário dos EUA. Ele afirmou que os republicanos estão muito focados em cortes nos gastos.

Obama também disse que a falta de um plano sério contra os déficits norte-americanos poderia se tornar um grande problema para a economia caso os investidores se retraíssem.

"Se tudo que estamos fazendo é cortes nos gastos e não estamos fazendo distinções entre eles, se estamos usando um facão em vez de um bisturi, e estamos cortando gastos que criam empregos, então o déficit pode até ficar pior, pois podemos cair novamente em uma recessão", disse.

Reeleição em 2012

A viagem à costa oeste dos EUA, que começou com a visita à sede da rede social, faz parte de um esforço do presidente norte-americano para recapturar a mágica de sua exuberante campanha eleitoral de 2008.

Democratas reconheceram que Obama precisará mobilizar muitas das mesmas forças que o levaram à Casa Branca para vencer a reeleição em 2012: um exército de eleitores jovens e cheios de energia assim como uma grande quantidade de eleitores independentes.

Obama está iniciando uma campanha para divulgar seus esforços para reduzir o déficit, no momento em que políticos e mercados financeiros se recuperam da ameaça da agência de classificação de riscos Standard & Poor's de diminuir a classificação de crédito AAA dos EUA devido ao temor de que Washington não vá combater seus problemas fiscais.

O presidente propôs cortar US$ 4 trilhões do déficit orçamentário dos EUA ao longo de 12 anos, por meio de cortes nos gastos e aumento dos impostos sobre os norte-americanos mais ricos - plano que é fortemente rejeitado pelos republicanos.

A questão de como reduzir o déficit, projetado para atingir US$ 1,4 trilhão neste ano fiscal, subiu para o topo da agenda política das campanhas a presidente e no Congresso de 2012. Democratas e republicanos estão ansiosos por conseguir apoio para suas respectivas propostas.

Obama anunciou seu plano na semana passada e, desde que declarou formalmente sua candidatura à reeleição, no início deste semana, vem testando argumentos a apresentar ao público.

Sua viagem de três dias à Califórnia e ao Nevada lhe dará uma oportunidade de interagir com eleitores em relação à redução do déficit e outras questões econômicas, ao mesmo tempo em que levanta fundos para sua campanha. Dados de pesquisas divulgados na quarta-feira sugerem que ele poderá encontrar plateias receptivas. Uma pesquisa ABC News/Washington Post com 1.001 eleitores mostrou que 72% são favoráveis ao aumento dos impostos sobre os norte-americanos mais ricos e 78% são contra a redução dos benefícios de saúde dos idosos. A margem de erro da pesquisa é de 3,5 pontos percentuais.

Obama, que diz que vai adiar o início de sua campanha formal enquanto se concentra em seus deveres na Casa Branca, está se adiantando em relação a seus rivais republicanos, a maioria dos quais ainda não declarou suas candidaturas formalmente.

Ao tratar da economia em eventos em dois Estados politicamente importantes, o presidente espera demonstrar seu engajamento em uma questão que seus futuros adversários provavelmente vão explorar como uma fraqueza política sua.

Os dados da pesquisa ABC News/Washington Post divulgados na terça-feira mostram que os índices de aprovação de Obama estão em patamar baixo quase recorde causado pelo pessimismo econômico crescente entre a população norte-americana.

Os republicanos criticaram Obama por não fornecer maiores detalhes sobre seu plano para reduzir o déficit e dizem que elevar os impostos vai prejudicar a frágil recuperação econômica do país.

De acordo com analistas, o próprio fato de focar tanta energia política sobre o déficit já constitui uma mudança importante.

"Hoje isso é tudo de que todo o mundo vem falando: reduzir o déficit", disse Nigel Gault, economista da Global Insight. "Os termos do debate mudaram. Isso é um avanço."

Mas tanto Obama quanto os republicanos continuam a ver sua credibilidade questionada por críticos externos.

Dois dias após o aviso dado pela S&P, o jornal francês Le Monde publicou um artigo na quarta-feira em que o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, disse que falta aos EUA um plano de redução do déficit de médio prazo que seja digno de crédito.

(Kim Dixon, Alister Bull e David Morgan)

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