Obama diz que pode haver 'catástrofe' se pacote não for aprovado

Em sua primeira entrevista coletiva, presidente dos EUA pede urgência em aprovação de plano econômico.

BBC Brasil, BBC

10 de fevereiro de 2009 | 02h42

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira que pode haver uma "catástrofe" caso o Congresso americano não aprove rapidamente o pacote de estímulo à economia proposto pela Casa Branca.Em sua primeira entrevista coletiva desde que assumiu o cargo, Obama afirmou que a economia dos EUA corre o risco de entrar em uma "espiral negativa" que pode se transformar em uma "catástrofe" se o governo não agir."O plano não é perfeito. Nenhum plano é. Não posso assegurar que tudo vá funcionar exatamente da maneira que esperamos. Mas eu posso dizer que nossa falha em agir vai apenas aprofundar a crise, assim como a dor de milhões de americanos", disse. Ele pressionou mais uma vez os parlamentares dos EUA a aprovarem rapidamente o pacote de resgate, que ultrapassa os US$ 800 bilhões."Eu peço que todos os membros do Congresso ajam sem atraso nesta semana para resolverem suas diferenças e aprovarem o plano", afirmou o presidente dos EUA.Mesmo afirmando não ter "uma bola de cristal", Obama se disse "confiante" de que "se fizermos a coisa certa, poderemos começar a ver algum progresso a partir do ano que vem".Ele ainda afirmou querer criar 4 milhões de empregos com o pacote.O plano de recuperação econômica proposto por Obama já foi aprovado pela Câmara dos Representantes e pode ser votado pelo Senado ainda nesta terça-feira.Na segunda-feira, por 61 votos a 36, os senadores aprovaram o fim dos debates sobre o projeto, o que deve levar a uma votação final sobre o plano.A legislação, no entanto, ainda precisará ser rediscutida com os deputados antes de ser ratificada pelo presidente.Durante a entrevista na Casa Branca, Obama defendeu diversos pontos do pacote, afirmando que "apenas o governo federal tem os recursos necessários para fazer com que nossa economia volte à vida".Ele ainda respondeu a algumas críticas que o plano tem sofrido por parte da oposição e afirmou que suas prioridades são "colocar dinheiro no bolso das pessoas, facilitar o crédito e assegurar que a economia pare de encolher".A entrevista coletiva desta segunda-feira foi o ponto alto da campanha que Obama está fazendo para convencer os membros do Partido Republicano a apoiarem o pacote no Congresso e tentar trazer aprovação popular às suas medidas.Ainda nesta segunda-feira, Obama visitou a cidade de Elkhart, no Estado de Indiana, e fez um comício em favor do plano de resgate à economia. Nesta semana ele deve participar de eventos parecidos em outros dois Estados.Leia também na BBC Brasil: Obama lança ofensiva pública por pacote nos EUA O presidente dos Estados Unidos também respondeu a perguntas sobre a política externa americana.Mesmo se dizendo preocupado com o programa nuclear do Irã e com o apoio que o país dá a organizações como o grupo palestino Hamas e o libanês Hezbollah - considerados "terroristas" pelos EUA -, ele acenou com a possibilidade da volta do diálogo entre os dois países."Minha expectativa é que, nos próximos meses, nós encontremos aberturas para que comecemos a nos sentar para discutir face a face, oportunidades diplomáticas que permitirão que nós mudemos a direção de nossa política (para o Irã)".Quando perguntado se ele tinha um plano de retirada das tropas americanas do Afeganistão, Obama afirmou não ter um cronograma, mas que não "permitirá que a Al-Qaeda e (Osama) Bin Laden ajam impunemente e ataquem os EUA". "Minha prioridade é que não deixemos a Al-Qaeda operar. Eles não podem se esconder na região (da fronteira com o Paquistão)".Obama ainda afirmou que os EUA e a Rússia devem trabalhar pela não-proliferação nuclear e sugeriu que sejam retomadas as negociações pela redução de seus próprios arsenais.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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