Obama elogia aprovação de projeto de reforma financeira

Presidente diz não querer viver novamente situação em que de escolher 'entre a economia e os bancos'

Agência Estado e Associated Press,

12 de dezembro de 2009 | 09h13

O presidente dos EUA, Barack Obama, elogiou neste sábado, 12, a aprovação de uma ampla reforma da regulação financeira na Câmara dos Representantes, que tem como objetivo corrigir falhas que teriam levado à crise econômica.

 

Ele pediu uma ação rápida do Senado, "porque nós nunca mais devemos nos encontrar novamente numa situação na qual podemos apenas escolher entre ajudar os bancos ou deixar que a economia entre em colapso".

 

O projeto que foi, aprovado na sexta por 223 votos contra 202, dá ao governo novos poderes para dividir companhias que ameacem a economia, cria uma nova agência para supervisionar as transações bancários do consumidor e lança uma luz sobre os mercados financeiros que têm escapado da supervisão federal.

 

Nenhum republicano votou em favor da proposta e 27 democratas votaram contra. Os oponentes argumentam que a legislação teria um alcance excessivo e institucionalizaria a ajuda ao setor financeiro. O Senado está trabalhando em sua versão do pacote.

 

Em seu programa semanal de rádio e Internet, Obama indicou que boa parte dos problemas enfrentados pela economia resultaram da "irresponsabilidade" das instituições de Wall Street, que "fizeram apostas com empréstimos arriscados e produtos financeiros complexos" para perseguir lucros de curto prazo e bônus volumosos, desconsiderando as consequências de longo prazo "Foi, como disseram alguns, gerenciamento de risco sem o gerenciamento", disse ele.

 

Obama afirmou que a crise econômica foi um "desastre" que nos últimos dois anos deixou cerca de 7 milhões de pessoas sem emprego. Ela não teria ocorrido, disse ele, se as regras que governam Wall Street tivesse sido mais claras e sua aplicação

mais rígida.

 

Obama destacou que os republicanos e lobistas do setor financeiro tentaram bloquear a reforma proposta por seu governo. Na semana passada, os republicanos da Câmara de Representantes pediram que mais de 100 lobistas trabalhassem duro para derrubar a projeto. Os lobistas gastaram mais de US$ 300 milhões este ano tentando esvaziá-lo.

 

Os opositores da reforma dizem que as mudanças vão limitar a escolha do consumidor e que a supervisão federal pode prejudicar a inovação financeira.

 

Obama sugeriu que vale a pena correr esse risco. "Os americanos não escolhem ser vitimados por tarifas misteriosas, cláusulas que mudam e páginas e páginas impressas de contrato. E, embora a inovação deva ser estimulada, esquemas arriscados que ameacem a nossa economia não devem", disse ele.

 

Obama agendou uma reunião para segunda-feira na Casa Branca com líderes do setor de serviços financeiros para pedir apoio a seus esforços de aumentar a supervisão federal e limitar o pagamento para os executivos de cargos mais elevados em instituições que aceitaram bilhões em ajuda do governo.

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