Obama elogia tarbalho de Bernanke no Banco Central dos EUA

Presidente dos EUA não disse, no entanto, se está inclinado a indicá-lo novamente para um segundo mandato

Suzi Katzumata e Danielle Chaves, da Agência Estado e Dow Jones,

16 de junho de 2009 | 19h20

O presidente dos EUA, Barack Obama, elogiou o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, durante entrevista concedida esta tarde para as tevês CNBC e Bloomberg, mas não disse se está inclinado a indicá-lo novamente para um segundo mandato no banco central norte-americano. "Ben Bernanke tem mantido sua posição extraordinariamente bem, sob extraordinárias circunstâncias", disse Obama quando perguntado se vai indicar Bernanke para um novo mandato. "Mas não vou dar notícias sobre isso agora", disse durante entrevista esta tarde para a tevê Bloomberg.

 

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O mandato de Bernanke no Fed expira em 31 de janeiro de 2010. Lawrence Summers, atualmente diretor do Conselho Econômico Nacional, é visto como concorrente para o posto no banco central.

 

Com relação ao mercado de mão de obra, Obama disse que embora a perda de empregos esteja desacelerando, ele acredita que a taxa de desemprego ainda vai alcançar os 10% este ano. "Eu penso que a economia vai dar a volta, mas como você sabe, os empregos são um indicador atrasado. E temos de produzir 150 mil empregos todos os meses para simplesmente manter o ritmo".

 

Obama disse que os motores da economia estão começando a se mover, mas também alertou que uma recuperação levará tempo considerando a imensa desalavancagem que ocorreu. "Mas eu estou confiante que se tomarmos as medidas que são necessárias na saúde, energia, educação, se conseguirmos implantar um forte sistema regulatório financeiro de forma que as pessoas tenham confiança nos mercados novamente, então no final veremos a recuperação em breve", afirmou.

 

Reforma financeira

 

Sobre a reforma da supervisão do setor financeiro que vai propor formalmente na quarta-feira, Obama disse: "O que temos em nossa proposta é que instituições de primeira linha - as grandes instituições que, se falirem, exigirão suporte do governo - fiquem sob cuidados de um órgão regulador único".

 

"Nosso conceito geral é o de não abandonar os aspectos do sistema que funcionam, mas sim nos concentrar nos aspectos que não funcionam", disse Obama. O presidente também afirmou que sua agenda de reformas prevê dar aos reguladores autoridade para desativar instituições individuais.

 

Mais cedo, um membro da administração confirmou que outro componente do plano de Obama será a criação de uma nova Agência de Proteção Financeira ao Consumidor para supervisionar os mercados de crédito, poupança e pagamentos, e que terá poder para reescrever regras hipotecárias e proibir práticas injustas.

 

Além de criar um regulador para o risco sistêmico e modernizar a proteção ao consumidor, Obama disse que sua agenda de reforma irá, como esperado, dar aos reguladores autoridade para desmembrar instituições individuais.

 

Questionado se a política influenciou as propostas de reforma, o presidente disse: "Queremos ter isso aprovado e achamos que a velocidade é importante. Queremos fazer isso certo, queremos fazer isso com cautela, mas não queremos lutar contra moinhos de vento".

 

O presidente também disse que pretende exigir o registro para os derivativos e tornar este mercado transparente. "Eu não quero antecipar completamente minha história de amanhã, quando anunciarei os detalhes do nosso plano (regulatório), disse Obama. "Deixe me dizer isto: os derivativos são um enorme risco potencial para este sistema. Vamos garantir que eles terão de se registrar, que eles sejam regulamentados, que teremos câmaras de compensação para que todos saibam quais são as várias posições das pessoas".

 

"Neste momento, você tem um completo sistema paralelo de enorme risco. Isto tudo será trazido à superfície e acreditamos que a transparência e franqueza são o passo fundamental para garantir que eles não representar um risco ao sistema como um todo".

 

Alerta

 

Obama alerto, no entanto, que as propostas da administração para fortalecer a supervisão de instituições financeiras e dos mercados e evitar um retorno do colapso financeiro serão um "trabalho difícil".

 

"Será um sistema muito mais efetivamente integrado do que o anterior", disse Obama em entrevista coletiva à imprensa ao lado do presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak. "Mas será, como sempre, um trabalho difícil, porque existem pessoas que querem continuar assumindo aqueles riscos, contando com os contribuintes americanos para socorrê-los se suas dívidas derem errado. E você ouvirá muita conversa sobre 'não precisamos de mais regulamentação' e 'o governo precisa sair de nossas costas'", afirmou o presidente dos EUA.

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