Obama envia representante comercial ao Brasil

Retaliação por conta dos subsídios ao algodão e crise na OMC serão tratados na visita

Jamil Chade e Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo,

08 de setembro de 2009 | 16h51

Diante de um cenário de tensão crescente nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o presidente americano Barack Obama envia na próxima semana seu representante comercial, Ron Kirk, para sua primeira visita ao Brasil. Na agenda, a retaliação do Brasil contra os Estados Unidos por conta dos subsídios ilegais ao algodão e a profunda crise que vive a Organização Mundial do Comércio (OMC).

 

Apesar de toda a esperança que Obama havia gerado de que poderia voltar a dar um impulso ao multilateralismo depois de oito anos do governo de George W. Bush, a agenda comercial do novo presidente decepcionou o Brasil e os demais países emergentes. O encontro entre Kirk e o governo brasileiro está marcado para ocorrer no dia 17 de setembro para tentar superar essa decepção. O Brasil certamente pedirá a Kirk que reveja sua posição nas negociações e que dá sinais claros de que os Estados Unidos está disposto a fazer esforços para um sistema comercial mais equilibrado.

 

O USTR (Escritório de Representação Comercial da Casa Branca) confirmou nesta terça-feira a viagem de Kirk ao Brasil, mas evitou dar detalhes de seu programa. O chanceler Celso Amorim já declarou sua irritação com a posição americana nas negociações internacionais. Nove meses depois da posse de Obama, o presidente americano até agora não revelou plenamente qual será sua política comercial.

 

No último fim de semana, o Brasil pode constatar que de fato não há qualquer sinal de flexibilidade por parte dos americanos na Rodada Doha da OMC. Em um encontro na Índia, Kirk rejeitou fazer qualquer concessão em reduzir subsídios e continuou pressionando os países emergentes a abrirem seus mercados para bens industriais dos Estados Unidos. Diante da posição americana, o processo não apenas está paralisado como corre o risco de ser rebaixado na agenda de prioridades dos governos.

 

A ideia de uma conclusão da Rodada em 2010 está cada vez mais abandonada. Kirk chegou tarde ao encontro na Índia e saiu mais cedo. Sequer conseguiu encontrar um momento para se reunir com Amorim. Mas as disputas também farão parte da agenda. Há duas semanas, o Brasil ganhou o direito de retaliar os Estados Unidos por uma decisão da OMC. A entidade julgou que os americanos não retiraram os subsídios ilegais ao algodão na disputa que já dura sete anos entre os dois países. O Brasil agora elabora uma lista de produtos e setores que serão alvos da retaliação. Mas o algodão não é a única disputa na agenda. O Brasil questiona as barreiras americanas ao suco de laranja, argumentando que as medidas são ilegais. A isso se soma ainda o questionamento que o Itamaraty iniciou ao lado do Canadá contra todos os subsídios agrícolas americanos, inclusive aqueles programas que são direcionados para apoiar a indústria do etanol.

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