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Obama escolhe novo presidente do Fed sob pressão

Presidente do EUA precisa indicar nome em momento de embate com a oposição sobre a elevação do teto do endividamento público

DENISE CHRISPIM MARIN, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2013 | 02h03

Indeciso entre cinco economistas "moderados", o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não poderá tardar o anúncio de seu favorito para a substituição de Ben Bernanke no comando do Federal Reserve (Fed, banco central americano) a partir de 1º de fevereiro de 2014. O prazo de quatro meses já é considerado curto demais em Washington.

O processo de escolha tende a ser contaminado pelo embate entre a Casa Branca e a oposição republicana sobre a elevação do teto do endividamento público e a definição do orçamento para o ano fiscal de 2014.

Todos os nomes da lista de Obama parecem dispostos a escolher com extremo cuidado o momento de iniciar a eliminação lenta e gradual do mecanismo de relaxamento quantitativo (QE3), em curso desde outubro de 2012. Com os juros básicos entre zero e 0,25% desde dezembro de 2008, o QE3 foi o instrumento do Fed para impulsionar a atividade do país. Não chegou a ser totalmente eficaz. Em sua terceira rodada, vem injetando US$ 85 bilhões mensais na economia, por meio da aquisição do Fed de US$ 40 bilhões em títulos do Tesouro e do restante em papéis atrelados à dívida hipotecária. Sem esse movimento, difícil imaginar a melhora observada neste ano.

O início da delicada eliminação do QE3 pode surgir ainda na era Bernanke. Três reuniões do Comitê de Mercado Aberto e Livre (Fomc), o colegiado que tomará a decisão, se darão até o final de janeiro. Mas o sinal verde dependerá tanto dos indicadores econômicos no momento do encontro e das projeções do Fed para os dois anos seguintes - em especial, da taxa de desemprego - como das decisões a serem tomadas pelo Congresso até meados de outubro. Um corte severo nos gastos públicos em 2014 pode significar recuo na atividade e até recessão. A resposta negativa do Capitólio ao aumento do teto da dívida pública forçaria o governo a suspender os pagamentos de fornecedores e funcionários.

Favoritos. Janet Yellen, vice-presidente do Fed, destacou-se entre os cinco nomes depois da exclusão de Lawrence Summers, ex-conselheiro econômico de Obama e ex-secretário do Tesouro de Bill Clinton. Summers foi boicotado pela maioria dos 55 senadores democratas por sua defesa da regulação frouxa do setor financeiro durante o governo de Clinton, seguida com mais desenvoltura pela gestão de George W. Bush.

Yellen recebeu o respaldo de 20 desses parlamentares e, na semana passada, foi alvo de conversas telefônicas de Obama a expoentes de sua base no Senado. Mas, até ontem, não fora aclamada pela Casa Branca.

Em julho, ao mencionar suas possíveis escolhas, Obama destacara também Donald Kohn, um funcionário com 40 anos de carreira no Fed que se aposentou em 2010, quando atuava na vice-presidência da instituição. Obama não pronunciou nenhum outro nome. Mas Timothy Geithner, secretário do Tesouro no seu primeiro mandato, é tido em Washington como a escolha dos sonhos do presidente americano. Geithner, entretanto, esquiva-se de uma nova posição na capital americana depois de ter passado o dobro do tempo pretendido no Tesouro e poderia causar resistência na base democrata no Senado, por ter sido presidente do Fed de Nova York no período de maior exposição dos bancos aos títulos podres, lastreados na dívida hipotecária.

Roger Ferguson, se escolhido, seria o primeiro negro a ocupar a presidência do Fed, assim como Yellen seria a primeira mulher. Também como Yellen, ele ocupou a vice-presidência e é considerado um grande tomador de decisões.

Professor de Bernanke no Massachusetts Institute of Technology, Stanley Fischer completa a lista de Obama, com o ativo - ou passivo, segundo seus críticos - de ter se distanciado dos EUA nos últimos oito anos, quando presidiu Banco Central de Israel.

Sucessor "ideal". A rigor, o melhor sucessor para Bernanke seria o próprio Bernanke. Obama, em julho passado, deixou claro não querer a recondução do economista nomeado por Bush. Segundo Otaviano Canuto, assessor especial da presidência do Banco Mundial, o sucessor "ideal" de Bernanke terá de demonstrar "capacidade de raciocínio aberto, sem posições pré-formadas, sobre os indicadores da economia". Por esse motivo, disse Canuto, o mercado reagiu bem à exclusão de Summers, o favorito de Obama, mas rejeitado por acadêmicos e parlamentares.

O essencial, para Canuto, será o endosso do futuro presidente do Fed à política monetária, sustentada no relaxamento quantitativo e no receituário a ser herdado de Bernanke. A ata da reunião do Fed da semana passada dará maior clareza sobre os elementos necessários para a torneira do QE3 começar suavemente a ser fechada.

"Janet traz o perfil perfeito para o cargo. Tem a experiência correta, é uma talentosa e excepcional economista e tem, consistentemente, esperado piores resultados das políticas adotadas nos últimos anos", disse William Dickens, especialista do Brookings Institution. "Duvido que Janet inicie o processo de eliminação do QE3 antes de a economia mostrar sinais fortes de recuperação."

Mesmo fora da presidência do Fed, como quer Obama, Bernanke continuará presente. Até o final de janeiro de 2020, fará parte da diretoria da instituição. O desafio de seu sucessor seria definir, com o colegiado do Fomc, o momento de início da eliminação gradual do QE3. Mas a expectativa de que venha a ocorrer antes de meados de 2014, como foi sinalizado pelo Fed em julho passado, pode ser frustrada. Como enfatizou Mohamed El-Erian ao Estado, há duas semanas, sempre que tentou sair do QE, o Fed acabou por lançar uma nova rodada de relaxamento quantitativo.

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