''Obama'' faz sucesso em Cannes

Estratégia de campanha que elegeu o presidente dos EUA é favorita ao prêmio mais esperado do festival

Marili Ribeiro, CANNES, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

A maior aposta no Festival Internacional de Publicidade de Cannes para o Grand Prix na categoria Titanium and Integrated - que avalia campanhas que utilizam várias plataformas de mídia e se tornou o prêmio mais cobiçado no festival - é a estratégia de comunicação que elegeu o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.Por isso, não foi surpresa a plateia lotada para a apresentação de um dos responsáveis pela campanha, David Plouffe - convidado da DDB Worldwide. A histórica campanha, acompanhada mundo afora, foi resultado da combinação do uso da mídia digital com a tradicional, sob o forte apelo da ideia de "mudança". Nunca tantos participaram de uma campanha política antes nos Estados Unidos.Um dos sócios da AKP&D Message and Media, empresa especializada em campanhas políticas, Plouffe, 41 anos, foi preciso no discurso. Agradou sem apelar para pirotecnias. Exibiu apenas um dos filmes da campanha, onde Obama surge em primeiro plano. Depois, Plouffe resumiu seu produto: "Não há música. Não há gráficos. Ele pode falar com o público como adulto. Pode falar sobre questões complexas. Soa verdadeiro."Segundo ele, "não há nada mais vibrante do que pessoas falando para pessoas. Uma comunicação direta, sem intermediação". Lógico que, na avaliação do vice-presidente de criação da agência JWT no Brasil, Mário D?Andréa, tudo funciona desde que o produto seja bom. Entre as lições anotadas por D?Andréa ao fim da apresentação está o amplo uso de todos os recursos de acesso e comunicação possíveis pelas marcas - até mesmo as redes sociais, da forma eficiente como Obama fez. "Não há alternativa, as marcas têm de ocupar todos os espaços ao mesmo tempo, e com o mesmo discurso." A linha de conduta de toda a estratégia da campanha foi sempre a busca do maior engajamento possível dos eleitores, o que, segundo o marqueteiro de Obama, "a tecnologia torna possível". Para Rodrigo Lacerda, diretor de marketing do Carrefour, esse é um ponto que pode ser bem explorado pelas empresas. "Temos de investir no trabalho das comunidades no entorno das lojas", disse Lacerda. "A questão do engajamento, ligando pessoas às marcas, sem intermediação, é algo que redes como o Mercadona, da Espanha, já fazem. Eles investem zero em mídia, mas empregam apenas pessoas do bairro onde estão instalados. Mantêm creches e escolas para a comunidade e dessa maneira criam raízes com esses consumidores." Para Lacerda, o varejo no Brasil ainda está distante dessa realidade. "Só os bancos trabalham com perfis segmentados." O jornal ?O Estado de S. Paulo? é o representante oficial do Festival de Cannes no Brasil FRASESDavid PlouffeEstrategista da campanha de Barack Obama"Não há nada mais vibrante do que pessoas falando para pessoas. Uma comunicação direta, sem intermediação"Mário D?AndréaPresidente da JWT no Brasil"Não há alternativa, as marcas têm de ocupar todos os espaços ao mesmo tempo, e com o mesmo discurso"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.