Obama: grandes bancos ficarão sob regulador único

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que grande empresas, com potencial para desorganizar o sistema financeiro, deveriam ser supervisionadas por um órgão regulador. Obama fez o comentário durante entrevista concedida esta tarde para as tevês CNBC e Bloomberg.

SUZI KATZUMATA E DANIELLE CHAVES, Agencia Estado

16 de junho de 2009 | 19h40

Sobre a reforma da supervisão do setor financeiro que vai propor formalmente amanhã, Obama disse: "O que temos em nossa proposta é que instituições de primeira linha - as grandes instituições que, se falirem, exigirão suporte do governo - fiquem sob cuidados de um órgão regulador único". "Nosso conceito geral é o de não abandonar os aspectos do sistema que funcionam, mas sim nos concentrar nos aspectos que não funcionam", disse Obama. O presidente também afirmou que sua agenda de reformas prevê dar aos reguladores autoridade para desativar instituições individuais.

Mais cedo, um membro da administração confirmou que outro componente do plano de Obama será a criação de uma nova Agência de Proteção Financeira ao Consumidor para supervisionar os mercados de crédito, poupança e pagamentos, e que terá poder para reescrever regras hipotecárias e proibir práticas injustas. Além de criar um regulador para o risco sistêmico e modernizar a proteção ao consumidor, Obama disse que sua agenda de reforma irá, como esperado, dar aos reguladores autoridade para desmembrar instituições individuais.

Questionado se a política influenciou as propostas de reforma, o presidente disse: "Queremos ter isso aprovado e achamos que a velocidade é importante. Queremos fazer isso certo, queremos fazer isso com cautela, mas não queremos lutar contra moinhos de vento".

O presidente também disse que pretende exigir o registro para os contratos derivativos e tornar este mercado transparente. "Eu não quero antecipar completamente minha história de amanhã, quando anunciarei os detalhes do nosso plano (regulatório), disse Obama. "Deixe-me dizer isto: os derivativos são um enorme risco potencial para este sistema. Vamos garantir que eles terão de se registrar, que eles sejam regulamentados, que teremos câmaras de compensação para que todos saibam quais são as várias posições das pessoas".

"Neste momento, você tem um completo sistema paralelo de enorme risco. Isto tudo será trazido à superfície e acreditamos que a transparência e franqueza são o passo fundamental para garantir que eles não representar um risco ao sistema como um todo".

Banco central

Obama elogiou o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Ben Bernanke, mas não disse se está inclinado a indicá-lo novamente para um segundo mandato. "Ben Bernanke tem mantido sua posição extraordinariamente bem, sob extraordinárias circunstâncias", disse Obama quando perguntado se vai indicar Bernanke para um novo mandato. "Mas não vou dar notícias sobre isso agora", disse durante entrevista para a tevê Bloomberg.

O mandato de Bernanke no Fed expira em 31 de janeiro de 2010. Lawrence Summers, atualmente diretor do Conselho Econômico Nacional, é visto como concorrente para o posto no banco central.

Desemprego

Com relação ao mercado de trabalho, Obama disse que embora a perda de empregos esteja desacelerando, ele acredita que a taxa de desemprego ainda vai alcançar os 10% este ano. "Eu penso que a economia vai dar a volta, mas como você sabe, os empregos são um indicador atrasado. E temos de produzir 150 mil empregos todos os meses para simplesmente manter o ritmo".

Obama disse que os motores da economia estão começando a se mover, mas também alertou que uma recuperação levará tempo considerando a imensa desalavancagem que ocorreu. "Mas eu estou confiante que se tomarmos as medidas que são necessárias na saúde, energia, educação, se conseguirmos implantar um forte sistema regulatório financeiro de forma que as pessoas tenham confiança nos mercados novamente, então no final veremos a recuperação em breve", afirmou. As informações são da Dow Jones.

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