Obama pede estímulos a emprego em meio a conversas sobre dívida

Declaração deve complicar ainda mais negociações com republicanos para retomar o controle da alta dívida norte-americana

Reuters,

29 de junho de 2011 | 19h14

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu nesta quarta-feira, 29, novas medidas para estimular a geração de empregos no país, o que provavelmente complicará ainda mais as negociações com os republicanos para retomar o controle da elevada dívida.

O pedido de Obama veio conforme o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Departamento do Tesouro dos EUA instaram Washington a chegar a um acordo em breve.

A pressão de Obama por novos empréstimos e por uma extensão de um benefício tributário na folha de pagamento poderia irritar ainda mais os republicanos, já descontentes com as exigências dos democratas por novas receitas com impostos.

Ao desafiar os parlamentares a realizarem "progressos substanciais" até o final desta semana ou cancelarem os planos para o feriado de 4 de Julho, Obama também buscou aumentar a pressão sobre os republicanos, dizendo que eles alertam contra um default ao mesmo tempo em que querem benefícios fiscais a milionários.

"Se o governo dos Estados Unidos, pela primeira vez, não puder pagar suas obrigações, se entrar em default, então as consequências para a economia dos EUA serão significativas e imprevisíveis", afirmou Obama em entrevista coletiva na Casa Branca, lembrando aos apoiadores do Partido Republicano em Wall Street sobre as partes envolvidas.

Com o país ainda enfrentando dificuldades para sair da mais profunda recessão desde a década de 1930, Obama disse que o Congresso precisa tomar medidas para reduzir a taxa de desemprego, atualmente em 9,1 por cento, mesmo que isso implique medidas de austeridade no médio prazo.

"Há mais medidas que podemos tomar agora que ajudariam as empresas a criar empregos aqui na América", afirmou.

Tais medidas provavelmente somariam centenas de bilhões de dólares aos déficits orçamentários, num período em que a Casa Branca e os parlamentares estão tentando diminuir o rombo em mais de 1 trilhão de dólares.

Republicanos do Congresso dizem que não há espaço para discussões.

"No meio de uma crise de dívida, eles querem pegar mais dinheiro emprestado e gastar mais para resolver o problema. Isso não é uma negociação, isso é uma paródia", disse o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, no plenário da Casa.

Desde que as negociações sobre a redução do déficit sofreram um revés na semana passada, republicanos e democratas não têm feito progressos sobre um acordo para permitir que o Congresso amplie a capacidade de endividamento do governo.

O secretário de Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, disse que não será capaz de evitar um default caso o Congresso não alcance um acordo para elevar o teto de dívida do governo --atualmente em 14,3 trilhões de dólares-- até 2 de agosto.

O FMI também disse que o fracasso num acordo em breve poderia causar um "severo choque" à já frágil recuperação e aos mercados globais.

Os mercados financeiros até agora têm demonstrado pouca preocupação, mas agências de rating já alertaram que a falta de um acordo até meados de julho poderia levar a uma reavaliação das perspectivas para a nota de crédito soberano da dívida dos EUA.

(Por Caren Bohan e Andy Sullivan/ Reportagem adicional de David Morgan, Glenn Somerville, Patricia Zengerle, Alister Bull, Rick Cowan, Emily Stephenson e Ellen Freilich, em Nova York)

 

Tudo o que sabemos sobre:
MACROEUADIVIDA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.