Obama pressiona bancos a ajudar retomada, critica lobby

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse aos maiores banqueiros norte-americanos nesta segunda-feira que eles têm o dever de ajudar na recuperação da economia do país e pediu que emprestem mais dinheiro e apoiem reformas na regulação financeira.

CAREN BOHAN, REUTERS

14 de dezembro de 2009 | 18h19

"Diante da dificuldade que esses executivos estão tendo com a redução nos empréstimos e levando em conta a excepcional assistência que os bancos tiveram num momento difícil, esperamos que eles explorem cada responsabilidade para ajudar nossa economia a se mover novamente", afirmou Obama.

Em encontro na Casa Branca com executivos das principais instituições financeiras do país, Obama disse não ter intenção alguma de permitir lobby em favor das intituições para impedir a regulamentação das reformas no sistema financeiro.

"Se eles estão querendo lutar contra as proteções ao consumidor comum, essa é uma luta que eu quero ter", exclamou.

Criticada por seu pacote de resgate financeiro no valor de 700 bilhões de dólares, a Casa Branca tem afiado seu discurso para a indústria financeira nas últimas semanas e buscado se distanciar das acusações de estar muito próximo de Wall Street.

O encontro na sede do governo norte-americano durou uma hora e meia, mais que o esperado. A jornalistas Obama disse que foi uma reunião franca e produtiva.

Três dos 12 executivos que haviam agendado presença no encontro participaram por telefone após o cancelamento de seus voos por causa de neblina.

Lloyd Blankfein, presidente-executivo e CEO do Goldman Sachs; John Mack, presidente-executivo e CEO do Morgan Stanley; e Dick Parsons, presidente-executivo do Citigroup participaram por meio de telefone.

Queixando-se com relação a executivos que recebem altos bônus, Obama disse que a falta de disponibilidade de crédito a pequenas empresas é um problema.

Ele disse que está recebendo cartas dessas companhias nas quais as empresas afirmam que não podem oferecer empréstimos.

Um exército de lobistas de bancos e firmas de Wall Street, cujos lucros têm sido ameaçados, vem lutando há meses para enfraquecer ou adiar as reformas, criticando o que consideram uma invasão desnecesária e cara nos negócios.

Os norte-americanos estão se sentindo insultados pelas práticas com bônus de grandes instituições bancárias.

Muitos culpam a negligência de Wall Street ao provocar a pior crise financeira desde a Grande Depressão e criar uma bagunça na economia que levou a taxa de desemprego a dois dígitos.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, relatou que Obama disse aos executivos de bancos que encara como problema o alto valor pago a eles na forma de bônus, e não na estrutura de seus sistemas de compensação.

(Colaboraram Steve Holland, Jeff Mason e David Morgan)

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