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Obama quer médico no Banco Mundial

O coreano-americano Jim Young Kim foi anunciado candidato ontem; EUA querem apoio da Europa para seguir na presidência do órgão

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

24 de março de 2012 | 03h07

Os Estados Unidos indicaram ontem o médico coreano-americano Jim Young Kim para a presidência do Banco Mundial, vaga a ser desocupada em junho pelo republicano Robert Zoellick. A escolha foi anunciada publicamente pelo próprio presidente dos EUA, Barack Obama, e dificilmente será ameaçada pela ministra de Finanças da Nigéria, Ngozi Okonjo-Iweala, apresentada como candidata dos países em desenvolvimento, e pela possível concorrência do ministro de Finanças da Colômbia, José Antonio Ocampo.

A decisão de Obama surpreendeu até mesmo a cúpula do Banco Mundial. No ano passado, cogitaram-se os nomes da secretária de Estado, Hillary Clinton, e do ex-conselheiro econômico da Casa Branca Lawrence Summers para o posto.

"O líder do Banco Mundial deve ter uma profunda compreensão do papel do desenvolvimento no mundo e da importância da criação de condições onde a assistência não é mais necessária", afirmou Obama. "Eu acredito que ninguém está mais qualificado para assumir essa missão do que o doutor Jim Kim. Chegou a hora de um profissional do desenvolvimento liderar a maior agência de desenvolvimento do mundo."

A escolha indica o objetivo da Casa Branca de reforçar a atuação do Banco Mundial no combate à pobreza, no socorro a situações de calamidade, na prevenção de doenças e epidemias e no estímulo aos negócios.

Presidente do Dartmouth College e fundador da Organização Parceiros na Saúde, Jim orientou sua carreira para o combate de moléstias de grande disseminação entre países e comunidades pobres. Com doutorado pela Universidade Harvard, também foi diretor do Departamento de Aids da Organização Mundial da Saúde.

Aos 52 anos, é também o segundo não americano nato apontado pelos EUA para a presidência do Banco Mundial, depois do australiano James Wolfensohn, que se manteve no posto entre 1995 e 2005. A família de Kim foi para os EUA quando ele tinha cinco anos.

A nigeriana Ngozi, entretanto, tem uma longa experiência no próprio Banco Mundial, onde atuou como diretora-gerente entre 2007 e 2011. Ela exerce a função de ministra de Finanças do seu país pela segunda vez, graduou-se em Harvard e concluiu seu doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT). O ex-ministro de Finanças da Colômbia José Antonio Ocampo também declarou-se pronto para disputar a vaga.

O Brasil já decidiu não votar em Kim. Tanto Ngozi como Ocampo foram considerados "ótimas" opções pelo Ministério da Fazenda, ciente de não poder alterar o cálculo da escolha final.

Acordo. A nomeação de Kim é dada como certa pelo fato de ainda estar em pé o acordo entre os EUA e a Europa Ocidental fechado durante a reunião de Bretton Woods, em 1944. A liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI) é dos europeus, enquanto o Banco Mundial é dos americanos. No ano passado, a francesa Christine Lagarde assumiu a direção-geral do Fundo com apoio dos EUA. Agora, espera-se o aval da Europa à indicação de Kim. Juntos, Estados Unidos e Europa detêm 51% do capital e dos votos do Banco Mundial.

Indicado para o Banco Mundial em 2005 pelo então presidente americano George W. Bush, Robert Zoellick demonstrou habilidade para lidar com a crise econômica mundial de 2008. Tornou-se um defensor da inclusão de países emergentes à discussão sobre as soluções possíveis, no âmbito do G-20. Sob sua liderança, o Banco Mundial realizou a primeira chamada de capital em 20 anos e liberou US$ 247 bilhões para projetos de infraestrutura e outras áreas.

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