Coluna

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Obama quer rever relações econômica e comercial com Brasil

Presidente americano quer discutir a utilidade das comissões criadas para diminuir os atritos entre os governos

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2009 | 15h36

O governo de Barack Obama quer reavaliar a relação bilateral com o Brasil no setor econômico e comercial. A Casa Branca enviou uma carta ao governo brasileiro propondo uma primeira reunião de trabalho entre os dois países já em abril. No sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será recebido por Obama. Já na Organização Mundial do Comércio (OMC), os Estados Unidos cobraram na terça-feira, 11, um compromisso do governo brasileiro de que as licenças de importação não serão retomadas.   Veja também: Protecionismo ameaça economias emergentes, diz Lula ao 'WSJ'   Durante o governo do ex-presidente George W. Bush, uma série de comissões foi criada entre os dois governos. Outra iniciativa foi ainda o estabelecimento de um mecanismo de diálogo comercial para tentar dar uma solução a atritos nessa área e ainda estudar propostas conjuntas. Mas, nos últimos anos, a diversificação das relações comerciais do Brasil foi uma das metas do governo. Em termos percentuais, o peso do mercado americano para as exportações nacionais caiu entre 2003 e 2007. O comércio para a África e Ásia aumentou em um ritmo maior que a taxa aos Estados Unidos.   Segundo Carlos Marcio Cozendey, diretor de Departamento Econômico do Itamaraty, a proposta do governo Obama é para que os dois países reavaliem a utilidade das comissões, rediscutam os temas que estão sobre a mesa de negociações e avaliem como tratar o futuro das relações bilaterais.   Em 2008, o Brasil usou o mecanismo de diálogo para pressionar a administração Bush a abrir o mercado americano no comércio de carnes. Brasil e Estados Unidos também discutiram propostas para usar o Haiti como plataforma de exportações. A ideia é de que, se empresas brasileiros investissem no Haiti, elas poderiam exportar sem taxas seus produtos ao mercado americano. O mesmo seria válido para empresas americanas.   O objetivo do Brasil era o de dar maior acesso ao mercado americano para as empresas nacionais e, ao mesmo tempo, incentivar a economia do Haiti, onde o Brasil comandas as tropas de paz da ONU. A ideia, agora, é de rever o formato do diálogo e como conduzir os debates comerciais entre os dois países.   Nesta semana, em Genebra, os Estados Unidos usaram o exame da política comercial brasileira para insistir que querem explicações sobre o uso de licenças não-automáticas pelo Brasil. A Casa Branca pediu um compromisso do governo de que novas barreiras não serão adotadas.   A administração Obama ainda surpreendeu a diplomacia brasileira há duas semanas ao defender uma reabertura do pacote que foi negociado até agora na OMC no contexto da Rodada Doha. Em seu primeiro relatório sobre comércio, o governo Obama ressaltou a necessidade de corrigir os "desequilíbrios" da negociação multilateral de comércio. O tom mais crítico em relação a Doha e outros acordos comerciais é uma ruptura em relação ao governo Bush.   Em meados de 2008, os principais atores da OMC chegaram perto de um acordo. Mas o tratado acabou fracassando diante de divergências entre Estados Unidos e Índia. Agora, a Casa Branca alerta que as concessões dos países em desenvolvimento precisam ser maiores, insistindo em garantir um maior acesso aos mercados dos países emergentes para suas exportações.   O relatório americano ressalta a importância de um acordo na Rodada Doha para lidar com a crise econômica mundial. Mas adverte: "Será necessário corrigir os desequilíbrios das atuais negociações, nas quais o valor das concessões esperadas dos Estados Unidos é facilmente calculável, enquanto os outros participantes têm grandes flexibilidades, deixando pouco claro o que nossos trabalhadores, agricultores e empresários têm a ganhar", diz a Agenda de Política Comercial do Presidente.   O Itamaraty, de sua parte, cobra uma posição explícita de Obama em relação às negociações e admite que, até agora, não sabe qual é a posição da nova administração em relação à OMC. "Se eles (americanos) quiserem reabrir o debate, nós também vamos querer outras coisas. E isso pode fazer com que o processo seja adiado em ano", afirmou Roberto Azevedo, embaixador do Brasil na OMC. "O que queremos do novo governo americano é uma posição clara sobre o que querem da Rodada", afirmou. O Itamaraty se queixa de que, até agora, não sabe a posição americana sobre o tema.   O relatório também ressaltou a importância da inclusão de cláusulas trabalhistas e ambientais nos acordos comerciais negociados pelos EUA, medida que é considerada protecionista por muitos analistas e atacada pelo governo brasileiro. "Precisamos garantir que a expansão do comércio não se dê às custas dos trabalhadores, e que a competitividade não ocorra por meio da exploração dos trabalhadores", consta do relatório.   Nesta semana, a Casa Branca voltou a alertar que não tem pressa na conclusão de acordos comerciais e chegou a descartar a negociação que vinha mantendo com a Coreia do Sul. O acordo com os asiáticos poderia ser o maior entendimento comercial fechado pelos Estados Unidos desde a criação do Nafta (acordo de livre comércio da América do Norte), em 1994.   (Com Patricia Campos Mello)

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