Obama refuta redução do déficit só com cortes de gastos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje que o país não pode reduzir seu déficit apenas por meio do cortes de gastos. Com essa afirmação, Obama reitera sua oposição a qualquer acordo que aponte cortes, sem aumentos na receita. A declaração foi feita enquanto o presidente norte-americano tenta chegar a um acordo com os republicanos sobre a questão da dívida do país. Obama também renovou seu pedido para que os mais ricos contribuam com sua "fatia justa" para os cofres do governo.

DANIELLE CHAVES E GUSTAVO NICOLETTA, Agencia Estado

25 de julho de 2011 | 15h02

Está aumentando a pressão para que Obama e os legisladores do país evitem um default (moratória) sobre a dívida dos EUA. As bolsas operam em queda hoje em consequência desse cenário, e o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para um choque severo à economia mundial.

Obama está tentando elaborar um acordo para elevar o teto da dívida, de US$ 14,3 trilhões, junto com um plano para controlar o déficit do governo. Os EUA atingiram o limite de endividamento em 16 de maio, mas têm usado gastos e ajustes contábeis, bem como receitas fiscais maiores do que o esperado, para continuar operando normalmente. Mas isso só pode ser feito até 2 de agosto.

Republicanos

Os líderes do Partido Republicano na Câmara dos Representantes dos EUA pretendem votar na quarta-feira um novo projeto de lei para reduzir os gastos e permitir dois aumentos no limite de endividamento, informou um assessor do partido.

A primeira elevação no teto da dívida, de US$ 900 bilhões, ocorreria imediatamente após o projeto de lei ser sancionado. A segunda, de US$ 1,6 trilhão, aconteceria em 2012. Nas duas ocasiões, os aumentos seriam acompanhados por cortes de gastos no mínimo equivalentes às elevações aplicadas ao limite de endividamento.

A legislação ainda não está completa, mas precisaria ser terminada ainda hoje para que a votação ocorra na quarta-feira, pois as regras da Câmara determinam que projetos de lei devem ficar disponíveis ao público por 72 horas antes de serem levados ao plenário.

O deputado republicano John Boehner, que preside a Câmara dos EUA, e outros líderes do partido vão apresentar o projeto a outros congressistas de sua base numa reunião às 15 h (horário de Brasília). Os republicanos detêm a maioria das cadeiras da Câmara.

No Senado, os democratas também estão preparando um projeto de lei para elevar o limite de endividamento dos EUA. O plano prevê um único aumento, de US$ 2,4 trilhões, ou o suficiente para que o governo federal continue tomando empréstimos em 2011 e ao longo de 2012. Também estão previstas no projeto medidas para reduzir o déficit orçamentário em aproximadamente US$ 2,7 trilhões. Segundo o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, todas as medidas envolvem cortes de gastos. As informações são da Dow Jones.

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