Obama sanciona pacote em meio a quedas nos mercados

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sancionou um plano de estímulo econômico de 787 bilhões de dólares, enquanto montadoras entregavam planos de reestruturação e os mercados globais caíam com preocupações de que as economias do leste europeu, duramente abatidas pela crise, prejudiquem bancos ocidentais. Dúvidas em torno dos efeitos que os mercados emergentes terão sobre a desaceleração econômica global têm puxado os mercados acionários para baixo. As bolsas de valores norte-americanas fecharam em seus níveis mais baixos desde 20 de novembro de 2008. Além disso, um bilionário do Texas foi acusado de "fraude massiva" e o ministro das Finanças do Japão renunciou diante da suspeita de que ele estava bêbado numa entrevista coletiva do G7. Esses episódios desgastaram ainda mais a confiança pública nos governos e instituições. "Enfatizando tudo que é incerto sobre onde é o fundo do poço, tanto na economia quanto nos mercados", disse Bucky Hellwig, vice-presidente sênior na Morgan Asset Management, em Birmingham, Estados Unidos. "Enquanto nos aproximamos das baixas de novembro, a realidade que se configura é que nós podemos ter mais espaço para cair na economia e no mercado. Dessa forma, nós vemos os mercados sendo liquidados", disse ele. Em meio às preocupações crescentes sobre os investimentos que bancos ocidentais fizeram no leste europeu, as ações e os preços do petróleo caíram, enquanto bônus e ouro subiram. O índice Dow Jones fechou em queda de 3,8 por cento, a 7.552 pontos, enquanto o S&P 500 despencou 4,6 por cento. O índice de ações europeias fechou em baixa de 2,5 por cento. O euro teve a maior queda em dois meses e meio contra o dólar norte-americano, depois que a Moody's Investors Service afirmou que a recessão no leste europeu será mais aguda que em qualquer outro lugar. Uma combinação de provisões maiores para dívidas ruins, crescimento dos custos de empréstimos bancários e queda das moedas dos países da Europa Oriental deverá pesar sobre a lucratividade dos bancos, afirmou a Moody's num comunicado. A Standard & Poor's disse à Reuters que deve rever os ratings dos bancos europeus após o anúncio da Moody's, que enfatizou os investimentos feitos por bancos de Itália, Áustria e França na Europa Oriental. PLANOS DE SOBREVIVÊNCIA Em Denver, Obama disse que o pacote de estímulo é somente uma parte do plano para curar os males econômicos norte-americanos. Somado a isso, os Estados Unidos esperam que um socorro de 17,4 bilhões de dólares ajude a abatida indústria automobilística do país. A General Motors informou que pode precisar de um total de 30 bilhões de dólares em ajuda governamental e que, caso não obtenha esses recursos, pode ficar sem dinheiro no início de março. O pedido por maior ajuda veio junto com a entrega do plano de recuperação da GM às autoridades norte-americanas. A empresa disse também que ainda não chegou a acordos com detentores de bônus e com o maior sindicato que representa seus funcionários para reduzir cerca de 47 bilhões de dólares em dívidas. A GM disse, no entanto, que trabalhará para conseguir esses acordos até o fim de março. Ao entregar seu plano de sobrevivência, outra montadora, a Chrysler, informou que pediu mais 5 bilhões de dólares em ajuda do governo norte-americano e que espera que a desaceleração no mercado dos EUA continue por mais três anos. A montadora, que submeteu seu plano de reestruturação ao Departamento de Tesouro dos Estados Unidos, informou que pretende reduzir sua dívida pendente em 5 bilhões de dólares e seus custos fixos em 700 milhões de dólares neste ano. "Os investidores estão muito céticos sobre a capacidade das montadoras de pôr em prática um plano viável, que as permita voltar a lucrar sem depender de um algum tipo de reorganização sob um regime de falência", disse Michael Sheldon, estrategista-chefe de mercado da RDM Financial, em Connecticut, Estados Unidos. (Reportagem de Jonathan Spicer)

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