Obama se reúne com banqueiros logo após criticá-los

O presidente dos EUA, Barack Obama, iniciou um encontro com executivos de bancos de Wall Street. A reunião de hoje pretende lembrar aos bancos da ajuda dos contribuintes recebida por eles, durante o pior da crise financeira, e conversar sobre formas de fortalecer os empréstimos para pequenas empresas. Em meio a disputas no Congresso sobre a reforma na regulação financeira, Obama também busca o apoio dos banqueiros ao projeto, que muitos deles já fizeram lobby para derrubar.

GABRIEL BUENO, Agencia Estado

14 de dezembro de 2009 | 15h47

O encontro na Casa Branca tinha menos pessoas que o esperado, pois a forte neblina em Washington impediu que três dos executivos chegassem ao encontro. Lloyd Blankfein, do Goldman Sachs, John Mack, do Morgan Stanley, e Dick Parsons, do Citigroup, participam via videoconferência.

"Pena que o avião de vocês tenha se atrasado", disse Obama aos três, durante o breve momento em que fotógrafos puderam registrar o encontro. Um dos executivos disse que "certamente não foi por falta de esforço" que eles não conseguiram chegar a Washington.

O encontro deve melhorar o ambiente entre o presidente e o setor financeiro, em meio a uma crescente tensão. Obama deixou clara sua frustração com Wall Street horas antes de os executivos chegarem à Casa Branca, afirmando ao programa 60 Minutes, da rede de TV CBS, veiculado no domingo, que ele não estava no cargo para ajudar "um bando de banqueiros fat cats (ricaços, numa tradução livre)".

"Eles ainda estão confusos sobre por que as pessoas estão furiosas com os bancos. Bem, vamos ver", disse o presidente. "Vocês estão obtendo US$ 10 milhões, US$ 20 milhões em bônus após a América passar por um ano da pior crise econômica em décadas, e vocês causaram o problema. E nós temos 10% de desemprego", disse Obama.

Estão presentes no encontro Ken Chenault, do American Express; Richard Davis, do Bancorp; Jamie Dimon, do JPMorgan Chase; Richard Fairbank, do Capital One; Bob Kelly, do Bank of New York Mellon; Ken Lewis, do Bank of America; Ron Logue, do State Street Bank; Jim Rohr, do PNC; e John Stumpf, do Wells Fargo.

O governo também estava representado pela conselheira da Casa Branca Valerie Jarrett, a diretora do Conselho de Assessores Econômicos, Christina Romer, pelo diretor do Conselho Econômico Nacional, Larry Summers, e pelo secretário do Tesouro, Tim Geithner.

Summers disse no domingo que Wall Street deveria reconhecer que "nenhum grande banco estaria incólume" sem o apoio do governo. "Nós os apoiamos", disse Summers, em entrevista à emissora ABC. "E os bancos precisam fazer tudo que podem para garantir que eles apoiarão os clientes por todo o país."

Hoje pela manhã, o Citigroup fechou um acordo com o governo norte-americano, pelo qual o banco reembolsará os US$ 20 bilhões recebidos do governo no âmbito do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos. O Departamento do Tesouro anunciou que começará a diminuir sua participação de 34% no Citigroup, vendendo em um primeiro momento até US$ 5 bilhões de suas ações ordinárias e o restante nos próximos seis a 12 meses.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, o executivo-chefe Jamie Dimon afirmou que o JPMorgan Chase está fazendo sua parte para apoiar os pequenos negócios, fortalecer os empréstimos, modificar as hipotecas para proprietários de casas em dificuldade, apoiar a reforma regulatória e apoiar práticas claras de compensação. "Isso é simplesmente o que um banco pode fazer", disse Dimon.

O comunicado do JPMorgan, porém, também nota que os bancos compartilham "temores" de que algumas das propostas regulatórias possam restringir os empréstimos e prejudicar o crescimento econômico e a criação de empregos. As informações são da Dow Jones.

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