Obama se reúne com líderes para um 'vai ou racha' e evitar o abismo fiscal

Presidente sublinharia pontos que gostaria de ver num possível acordo e entregaria a tarefa de construir um texto aos parlamentares

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2012 | 02h06

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, convocou os líderes dos partidos democrata e republicano no Senado e na Câmara dos Deputados para um "vai ou racha" sobre o pacote de medidas para evitar o abismo fiscal a partir de 1.º de janeiro. O grupo corre contra o relógio para selar um acordo fiscal capaz de ser aprovado nos plenários das duas Casas do Congresso em apenas três dias.

Não havia detalhes da reunião de Obama com os líderes partidários até o fechamento desta edição. Segundo assessores da Casa Branca, o presidente iria sublinhar os pontos que ele pretende ver em um possível acordo e deixar para os parlamentares a tarefa de construir o texto.

Para o encontro foram chamados os senadores Harry Reid (democrata) e Mitch McConnell (republicano), o presidente da Câmara, John Boehner (republicano), e a deputada Nancy Pelosi (democrata).

Entre os tópicos exigidos por Obama, entretanto, está o nó górdio dessa discussão: o fim da vigência da alíquota reduzida de imposto de renda para os americanos com renda anual superior a US$ 250 mil ou, em último caso, a US$ 400 mil. Os republicanos radicais do Tea Party rejeitam essa medida, independentemente do piso de ganhos anuais a ser fixado, e dificultam a aprovação na Câmara.

O chamado abismo fiscal diz respeito a uma série de medidas fiscais a serem automaticamente adotadas, a partir de 1.º de janeiro, se não houver um acordo sobre o ajuste nas contas públicas até 2022. Entre elas, estão o corte de US$ 560 bilhões em gastos sociais e de Defesa e o fim da vigência de renúncias fiscais adotadas em 2006 para aliviar a tributação da classe média, dos americanos com renda superior a US$ 250 mil ao ano e das pequenas empresas.

Também seria eliminado o pagamento do seguro-desemprego para quem está sem trabalho há muito tempo. Os subsídios agrícolas hoje vigentes seriam também extintos. O efeito dessas medidas será recessivo. O Escritório de Orçamento do Congresso calcula o retorno da taxa de desemprego para 9,6% no final de 2013. Em novembro, chegara a 7,7%, a menor desde dezembro de 2008.

Expectativa. A convocação do encontro de ontem abrandou a onda de pessimismo observada na quinta-feira, quando Harry Reid afirmou não haver tempo suficiente para aprovar qualquer acordo no Congresso até 31 de dezembro. O senador Chuch Schumer disse ontem estar "um pouco mais otimista" porque Mitch McConnell estaria engajado no processo. "Os humores estão melhores do que as pessoas imaginam", declarou.

Mas o próprio McConnell ponderou ser difícil trabalhar com um prazo final tão curto. O senador republicano Pat Toomey contrariou essa avaliação ao dizer que "não é muito tarde" para um acordo. Em seu relatório sobre o tema, a consultoria Eurasia Group afirmou ontem acreditar em um acordo fiscal até 31 de dezembro. Mas advertiu que, sem acordo no prazo, o ambiente político ficará "envenenado" em Washington e se tornará ainda mais difícil alcançar um acordo em 2013.

O acordo no prazo, para os consultores, será como um jogo apenas com vencedores. Para o governo Obama, evitará a recessão e o fim abrupto dos subsídios previstos na Lei Agrícola. Ou seja, o presidente não iniciará seu segundo mandato, em 21 de janeiro, com a agenda paralisada pela nova recessão. Para os republicanos, segundo o Eurasia Group, o acordo evitará que sejam apontados como os culpados e os permitirá desfrutar dessa vitória política, que não se tornará exclusa de Obama.

A agência de classificação de risco Standard & Poor's não acredita que as negociações sobre a questão fiscal nos EUA tenha impacto sobre os ratings do país.

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