Obama sinaliza apoio a solução temporária para dívida

A Casa Branca sinalizou na quarta-feira que pode aceitar um aumento temporário "de poucos dias" no limite de endividamento do governo, se o Congresso selar um acordo mais amplo para a redução do déficit público, mesmo que exija mais tempo para aprová-lo.

JEFF MASON E ANDY SULLIVAN, REUTERS

20 de julho de 2011 | 22h02

Isso contraria uma posição anterior do presidente norte-americano, Barack Obama, mas reflete uma realidade política cada vez mais clara: que está se esgotando o prazo para que o Congresso aprove um amplo pacote de redução do déficit antes de 2 de agosto, quando o governo ficará sem dinheiro.

Uma nova proposta de redução do déficit, feita por um grupo de senadores conhecido como "Gangue dos Seis", ressuscitou as esperanças quanto a um amplo acordo para os cortes de gastos públicos que evite uma moratória e alivie a pressão sobre a nota de crédito AAA do país.

Obama havia repetidamente rejeitado a hipótese de prorrogação apenas temporária do limite de endividamento de 14,3 trilhões de dólares como solução ao problema, e a Casa Branca reiterou tal posição na quarta-feira, mas com uma ressalva.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse em nota que o presidente aceitaria examinar uma solução de curto prazo, na hipótese em que um acordo já tivesse sido alcançado "e precisássemos de uma prorrogação de curtíssimo prazo (como alguns poucos dias) para permitir um pouco de tempo extra até que uma lei passe pelo processo legislativo."

Autoridades da Casa Branca afirmaram anteriormente que sexta-feira seria o último dia para um acordo ser alcançado a tempo de passar pelo Congresso, mas cumprir esse prazo se mostra cada vez mais improvável. Os negociadores devem se reunir até o fim deste mês.

O governo ficará sem dinheiro para pagar suas contas se o Congresso não elevar o limite de endividamento até 2 de agosto. Caso não haja acordo, o país poderá declarar moratória e voltar à recessão, com implicações para os mercados financeiros no mundo todo.

O Federal Reserve (Banco Central) tem se preparado ativamente para a possibilidade de uma moratória na maior economia mundial, disse à Reuters o diretor do Fed em Filadélfia, Charles Plosser.

No entanto, Plosser disse ter a "intuição" de que Obama e o Congresso chegarão a um acordo para evitar o calote.

Os republicanos dizem que só vão aceitar um aumento no teto de endividamento se ele vier acompanhado de profundos cortes nos gastos públicos. Mas as negociações a respeito do déficit atingiram um impasse por causa das propostas de aumento da carga tributária, algo que a oposição continua rejeitando.

Na tarde de quarta-feira, Obama se reuniu com líderes parlamentares democratas. Mais tarde, passou uma hora e meia conversando com John Boehner e Eric Cantor, os dois mais graduados republicanos da Câmara dos Deputados.

Assessores não quiseram dar detalhes das reuniões. Estava previsto que líderes discutissem um ambicioso plano de redução do déficit proposto na terça-feira pela "Gangue dos Seis". Obama elogiou o plano como uma forma de ajudar a acabar com o impasse.

O plano de redução de 3,75 trilhões de dólares no déficit apresentado pelo grupo inclui uma economia imediata de 500 bilhões de dólares no déficit e dá ao Congresso seis meses para propor reformas de longo alcance.

(Reportagem adicional de Richard Cowan, Thomas Ferraro e Alister Bull, em Washington; e de Kristina Cooke, Tim Ahmann e Emily Flitter, em Nova York)

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