Obama sugere plano de US$3 tri para cortar déficits

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, revelou nesta segunda-feira um plano de 3 trilhões de dólares para cortar déficits do país através de aumento de impostos sobre os ricos, mas os republicanos mostraram rechaço, sinalizando que a proposta tem poucas chances de se tornar lei.

ALISTER BULL E CAREN BOHAN, REUTERS

19 de setembro de 2011 | 15h08

Prometendo vetar quaisquer cortes no Medicare, programa de assistência de saúde do governo, a menos que o Congresso eleve impostos sobre companhias e os ricos, as recomendações do presidente democrata prepararam o terreno para um combate ideológico contra os republicanos, que vai durar até as eleições de 2012.

"Não vou apoiar nenhum plano que coloque toda a carga de fechar nosso déficit sobre cidadãos norte-americanos comuns", afirmou Obama. "Não vamos ter um acordo unilateral que prejudique as pessoas mais vulneráveis."

Com as pesquisas mostrando a maioria dos norte-americanos insatisfeitos com a liderança econômica, as esperanças de reeleição de Obama podem se ancorar em sua capacidade de convencer os eleitores de que os republicanos representam os ricos, e não a classe média. Esse é o principal tema de seus comentários nesta segunda-feira, nos quais ele repetidamente disse que todos os norte-americanos precisam pagar sua "carga justa" de impostos.

Os republicanos têm consistentemente se oposto a qualquer medida similar a aumentos de impostos, dizendo que elas prejudicariam a já fraca economia do país ao elevar a carga de tributos sobre o empresariado, que gera empregos.

"Ameaças de veto, um maciço aumento de impostos, economias fictícias e o prosseguimento da reforma nas aposentadorias não são uma receita para estimular o crecimento econômico e a geração de empregos", afirmou o líder republicano no Senado, Mitch McConnell.

O discurso de Obama destacou uma postura mais agressiva para defender os princípios democratas, após duas batalhas envolvendo questões orçamentárias no início deste ano, nas quais o presidente acabou fazendo promessas aos republicanos e sendo alvo de críticas por fazer isso a partir de uma base liberal.

"Isso é política pura, que mira a base desmoralizada de Obama. Isso sem dúvida tem sido testado nas urnas, então agora Obama tem um tipo de campanha populista. Não há obviamente nenhuma chance de isso ser aprovado (em votação no Congresso", afirmou o estrategista político da consultoria Potomac Research Group, Greg Valliere.

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