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Objetivo da política monetária não é regular câmbio, diz BC

Para o presidente, Henrique Meirelles, regime focado no câmbio atuaria como 'uma biruta ao sabor dos ventos'

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

26 de maio de 2009 | 10h41

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta terça-feira, 26, que o objetivo da política monetária no País é assegurar o equilíbrio macroeconômico interno, mantendo a inflação na meta, e não regular a taxa de câmbio. Ele criticou aqueles que defendem uma política monetária "cambiante", que deveria seguir a conveniência do momento, ora voltada para o equilíbrio interno e ora para a harmonia do balanço de pagamentos.

 

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Para o presidente do BC, um regime monetário que variasse dessa forma se tornaria "errático, uma política monetária que atuaria como uma biruta ao sabor do vento e não a âncora da estabilidade macroeconômica". Segundo ele, "felizmente não é esse o objetivo precípuo nem a prática da política monetária implantada pelo BC, calcada no controle da inflação".

 

Para Meirelles, com esse objetivo de atuação do regime de juros adotado pelo BC é que o País pode reagir à crise, focado "na evolução da situação macroeconômica ampla e não apenas em seus aspectos restritos ou setoriais, permitindo-nos praticar as menores taxas de juros de nossa história econômica recente, o que terá importantes efeitos contracíclicos e ajudará na recuperação da economia", disse Meirelles, após participar da abertura do 5º Congresso da Anbid de Fundos de Investimento, em São Paulo.

 

O presidente do BC afirmou que "se o BC tivesse por missão estabilizar a taxa de câmbio, evidentemente teria que ter implementado forte elevação da taxa Selic no último trimestre de 2008, com as consequências que todos podem imaginar".

 

Segundo ele, a flexibilidade cambial é avaliada como precondição fundamental para implementar um regime de metas de inflação. De acordo com Meirelles, a taxa de câmbio responde a um conjunto de múltiplos fatores, entre eles, a evolução dos termos de troca, das finanças públicas, do apetite por risco e da confiança no País e no exterior. "Sob o regime atual, que vem servindo muito bem ao Brasil nesses últimos dez anos, cabe à taxa de câmbio e não à taxa de juros reagir a toda esta combinação de fatores", afirmou.

 

Cautela

 

Meirelles fez um alerta às instituições financeiras que atuam no segmento de fundos de investimento para que aprendam com as lições da atual crise e adotem procedimentos cautelosos para a gestão dos ativos que administram. "As lições aprendidas com a crise internacional devem evitar que cometamos os mesmos erros no Brasil, com excesso de euforia, falta de transparência e incorreta precificação de risco, que caracterizaram os mercados americanos na última década", disse.

 

"A tendência de consolidação da estabilidade e diminuição de risco macroeconômico no Brasil é ancorada em fundamentos sólidos. Os próximos passos serão a institucionalização de uma correta precificação do risco e, fundamentalmente, da manutenção de uma política econômica responsável e consistente nos próximos anos. Será necessário resistir à tentação de tentar obter ganhos setoriais ou de curto prazo que criem desequilíbrios macroeconômicos e aumentem os prêmios de risco na economia", disse.

 

Meirelles ressaltou que a falta de harmonia na condução da economia no passado já provocou resultados desastrosos ao País. "A sociedade brasileira está usufruindo hoje os benefícios da estabilidade e não cairá nos cantos da sereia", afirmou.

 

Texto atualizado às 12h13

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