FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Objetivo do BNDES é aproximar oferta de crédito a patamar de R$ 100 bi, diz Rabello

Presidente do banco afirmou que previsão para 2017 é de R$ 67 bilhões e que há a intenção de que esse montante aumente pela frente, mas não especificou o período para que isso ocorra

Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2017 | 10h24

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, afirmou que o objetivo do banco é voltar a aproximar o volume de recursos destinados à oferta de crédito a um patamar histórico de R$ 100 bilhões anuais. Rabello destacou que o previsto para o ano de 2017 é da ordem de R$ 67 bilhões e afirmou que há a intenção de que esse montante aumente pela frente, mas não especificou o período para que isso ocorra.

Durante seminário sobre financiamento a micro, pequenas e médias empresas na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na capital paulista, Rabello considerou que o conjunto do crédito ainda está em processo de queda, refletindo uma piora na atividade econômica. Apesar disso, avaliou que já é possível ver “os primeiros sinais de alento para a retomada da produção industrial”.

O presidente do BNDES afirmou que há disposição para elevar o crédito a micro, pequenas e médias empresas. “Queríamos muito que ocorresse nos próximos doze meses aumento substancial nas operações de crédito do banco”, declarou, acrescentando que essa fatia tem crescido. De acordo com Rabello, as micro, pequenas e médias empresas representavam 31% do crédito no banco no primeiro semestre de 2016 e passaram a representar 40% nos primeiros seis meses deste ano.

Entre janeiro e junho, o conjunto de crédito disponibilizado pelo BNDES somou R$ 33,5 bilhões, segundo o presidente do banco de fomento. Rabello afirmou que o crescimento do crédito de volta aos patamares históricos de R$ 100 bilhões anuais deve ocorrer com a oferta a micro pequenas e médias empresas. O presidente do BNDES considerou que esse é um “universo abandonado” de empresas na economia brasileira.

Tesouro. Rabello de Castro avaliou que o banco de fomento tem condições de ser um tomador de recursos no mercado nacional e internacional. Ele usou a expressão em inglês “prime borrower” para dizer que o BNDES poderia ser um tomador de empréstimo de alto nível.

A declaração foi dada por Rabello após um questionamento do presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Comentando as expectativas de crescimento da oferta de financiamento pelo BNDES, Skaf avaliou que o montante de recursos a serem ofertados em crédito não poderia extrapolar a entrada natural de recursos no banco de fomento vinda dos recursos de empréstimos pagos por quem se financiou no passado. Skaf fez essa ponderação ao dizer que não caberia mais que o BNDES tomasse recursos junto ao Tesouro.

Rabello rebateu, afirmando que o banco está avaliando formas de que a oferta de crédito ocorra sem a dependência do Tesouro. Ele considerou que falar da tomada de recursos do Tesouro é “falar de um morto”. “Quem disse que o BNDES vai importunar a viúva, o governo federal, com pedidos de recursos?”, indagou.

O presidente do BNDES mencionou produtos que têm crescido no banco de fomento, caso do BNDES Finame, que segundo ele aumentou 41,7% no primeiro semestre deste ano ante igual período do ano anterior.

Rabello disse que a grande queda no crédito tem ocorrido no cartão BNDES, modelo que ele afirmou ser antigo e está “em processo de extinção”. O presidente do banco de fomento contou que até o final do ano um novo cartão deve ser lançado. De acordo com ele, existe a possibilidade do lançamento de uma plataforma eletrônica e um aplicativo. “Isso dará condições para que, em 2018, tenhamos condições de dar um salto”, conclui.

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