Objetivo do fundo soberano não é reduzir queda do dólar, diz BC

Meirelles diz estar ?em sintonia? com Mantega sobre criação do fundo

Daniela Kresch, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2007 | 00h00

Em visita a Tel-Aviv, Israel, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou ontem que o fundo soberano, anunciado em outubro pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, terá seus objetivos detalhados em breve. "O governo e a equipe econômica estiveram envolvidos na reformulação do sistema de tarifas bancárias, portanto, agora, sim, estaremos focados na questão do fundo soberano. Vamos lidar com isso tão logo eu volte ao Brasil", disse, após palestra sobre a economia brasileira na Conferência de Negócios de Israel 2007, um dos eventos econômicos mais importantes do país. Meirelles não quis comentar as declarações de Mantega ao jornal britânico Financial Times, publicadas domingo, de que o fundo soberano terá como objetivo primordial conter a valorização do real. Mas deixou claro que está "em sintonia" com o ministro da Fazenda na criação do fundo. O presidente do BC complementou que entre as poucas definições já decididas está a de que o fundo "não vai usar reservas do Brasil, mas, sim, adquirir recursos diretamente do mercado". A criação do fundo soberano tem confundido o mercado financeiro, já que seu funcionamento e objetivos ainda não foram esclarecidos. Segundo o Financial Times, os planos para o fundo já foram revisados várias vezes. Meirelles demonstrou otimismo em relação à situação brasileira diante de crises internacionais, como a desvalorização do mercado imobiliário americano. Segundo ele, o Brasil, hoje, está mais bem preparado para enfrentar situações desse tipo. "Temos quase US$ 180 bilhões em reservas, saldo comercial bastante confortável e relação cadente da dívida pública sobre o Produto (Interno Bruto), além de inflação na meta", afirmou. Ele destacou também o fato de que o Brasil está crescendo, atualmente, com base numa maior demanda doméstica, resultado do aumento da renda média, do emprego e do crédito. "O Brasil está menos dependente da demanda externa, particularmente da americana. Estamos bem preparados desta vez", afirmou. Segundo ele, o crescimento do Brasil este ano (quase 5%) é "robusto, conforme previsto em diversos documentos oficiais do Banco Central". Segundo o presidente do BC, outro fator importante na menor vulnerabilidade do Brasil a choques externos é o aumento na diversificação das exportações. Hoje, os Estados Unidos representam 17% das vendas externas brasileiras, a União Européia, 25%, e a América Latina, 26%. "Esta viagem a Israel faz parte desse esforço de diversificação", assinalou.

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