Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Obra parada deixa prejuízos em Imperatriz

Empreendimento que deveria ser entregue em fevereiro de 2014 depende de aditivo da Caixa Econômica Federal para finalmente ser finalizado

Murilo Rodrigues Alves (texto) Dida Sampaio (fotos) / ENVIADOS ESPECIAIS A IMPERATRIZ (MA), O Estado de S. Paulo

16 Julho 2016 | 17h03

Previsto para ser entregue em fevereiro de 2014, o empreendimento de 3 mil moradias do Minha Cassa Minha Vida em Imperatriz (MA) só será entregue em 2017, caso o governo do presidente em exercício Michel Temer cumpra a promessa de retomar, gradualmente, todas as obras paradas. Com os atrasos nos pagamentos, as três construtoras não conseguiram tocar as obras e agora calculam o valor do aditivo que vão pedir à Caixa Econômica Federal para concluir o empreendimento.

As empresas dizem que os R$ 170 milhões previstos inicialmente foram calculados com o valor defasado de cada imóvel e que precisam fazer uma drenagem profunda no terreno, que fica próximo ao Rio Tocantins. Por mês, cada empresa diz gastar R$ 80 mil com a segurança do canteiro de obras. 

A paralisia nas obras deixou um rastro de dívidas pela cidade. A maior parte dos cerca de 2 mil funcionários do empreendimento era de outras cidades e eles tiveram de recorrer à Justiça para receber os salários e direitos trabalhistas. Não restou outra opção também aos fornecedores.

Assenete Ribeiro, de 51 anos, dona de um restaurante que chegou a servir 500 refeições por dia, um boi e 60 quilos de arroz só no almoço, ficou com uma dívida de R$ 400 mil. “Tenho esperança, mas não sei se vou receber. Se não receber, não tem como trabalhar e nem pagar ninguém”, afirma. Só no açougue ela deve R$ 130 mil. “Fiquei devendo no banco, devendo para os fornecedores, devendo para os funcionários”, conta. Ela já chegou a ter 15 empregados, mas hoje tem apenas dois e serve uma “quentinha” por dia. 

A poucos metros do empreendimento vive a família de Onymarcy Barros, de 27 anos, e Idelbrando Barros Junior, de 32, que foram contemplados pelo programa e esperam viver na casa própria. Hoje, moram em um cômodo na casa dos pais dele, junto com Ana Clara, de 2 anos, e Ana Carolina, de 9. Ao todo, 12 pessoas moram no imóvel.

“Mesmo que outra pessoa entregue as chaves da nossa casa, foi a Dilma que mandou construir”, diz Idelbrando, em referência à presidente afastada Dilma Rousseff, que cortou a meta da terceira etapa do programa para construção de 2 milhões de casas – na campanha à reeleição, ela tinha prometido 3 milhões de unidades. “Ela ajudou bastante, mas agora está aparecendo as coisas erradas que o partido dela fez”, pondera Onymarcy. 

Para Marciane Gonçalves, de 30 anos, que também está na lista dos beneficiários do programa e aguarda a conclusão das obras, o programa ficou maior do que todos os governantes. “Eles já falaram que vão retomar as obras e só me resta acreditar. Meu maior sonho é entrar pra dentro da minha casa.” Marciane, que tem um filho de três anos e está grávida de outro, vive na casa dos pais, com três sobrinhas e uma irmã. 

Antes vitrine, o programa se tornou uma dor de cabeça para os prefeitos que precisam explicar os motivos da interrupção das contratações de moradias para as pessoas que mais precisam, o que na prática inviabiliza novos cadastros. Para ocupar essas 3 mil casas em Imperatriz, por exemplo, 19 mil pessoas se inscreveram. Todos os dias, a coordenadora do Minha Casa no município, Maria Goreth Santos, atende, segundo ela, uma centena de ligações de pessoas que esperam ser beneficiadas. 

O prefeito de Imperatriz, o tucano Sebastião Torres Madeira, do mesmo partido do atual ministro das Cidades, Bruno Araújo, diz que o programa se transformou em uma “desgraça política”. Ele conta que os adversários usam a paralisia das obras e o aumento das invasões para “queimá-lo” politicamente. “As pessoas perderam a esperança de receber a moradia e começaram a invadir. Se o programa tivesse continuado no mesmo ritmo, isso não aconteceria”.

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