Obras de construção de rodovias avançam só 1,3 quilômetro por mês

BRASÍLIA - Levantamento feito pelo 'Estado' em 122 contratos em vigor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) mostra que as rodovias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) avançam a um ritmo médio de 1,3 quilômetro por mês.

LU AIKO OTTA , O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2013 | 02h07

Os cálculos tomam por base dados do Boletim Eletrônico de Medição, que mostra a evolução mensal de 107 obras prioritárias do PAC que estão em construção. Para cada um foi encontrado o ritmo de evolução da obra, levando em conta a data de início do contrato, a data estimada para sua conclusão e a extensão a ser construída.

No trecho mais rápido, a construção da BR-230, no Pará, avançou a um ritmo de 12 km ao mês no contrato referente aos km 643,6 a 728. Essa mesma rodovia, porém, registra uma obra que está em construção há nove anos.

O contrato mais antigo do boletim refere-se à duplicação da BR-101 no Rio Grande do Sul, do km 8,8 ao km 35,9. Ele foi assinado em 27 de dezembro de 2001 e até hoje a obra não foi entregue. A previsão é que fique pronta no fim de março próximo.

As obras da BR-101 RS, por sua vez, são as mais complexas da lista. Há trechos que foram objeto de cinco ou seis contratos diferentes. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu especial atenção a essa obra. Em 2005, visitou o canteiro e operou uma perfuratriz que seria utilizada para cavar o túnel do Maquiné. Cinco anos depois, a nove dias de encerrar o mandato, ele foi inaugurar o túnel. Percorreu a pé toda a extensão de 1,8 km.

Campanha. A lentidão das obras do PAC é uma antiga pedra no sapato da presidente Dilma Rousseff, desde os tempos em que era "gerentona" do programa, no comando da Casa Civil. Agora, dar mais celeridade a essas obras e aos investimentos públicos e privados no País é a prioridade número um do governo.

A preocupação é alcançar taxas de crescimento mais robustas e dar gás para a campanha eleitoral de 2014. No ritmo atual, e se as projeções do mercado estiverem corretas, Dilma levará mais de três anos para expandir o Produto Interno Bruto (PIB) na mesma magnitude de 7,5% alcançada por Lula em um único ano, o de 2010. "A velocidade tem de ser maior", reconhece o diretor-geral do Dnit, general Jorge Ernesto Pinto Fraxe. "Faremos reuniões de coordenação para eliminar qualquer interferência que esteja travando o avanço das obras."

Ele explica que a velocidade calculada pela reportagem, de 1,3 km por mês, compara coisas diferentes. "Não existem dois terrenos iguais", afirma. "Dependendo de como a topografia se apresenta, vai devagarinho."

Fora essas dificuldades, há os já conhecidos problemas com o Tribunal de Contas da União (TCU), com órgãos ambientais, com o patrimônio histórico, com indígenas e com a Justiça.

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