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Obras em Dubai chegam a US$ 400 bi

Cidade concentra hoje 20% das gruas em operação no mundo

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

Do lado de fora, uma tempestade de areia interrompia o trânsito e provocava caos. Dentro do principal shopping center de Dubai, a população tranqüilamente se divertia, esquiando em uma pista de neve de três quilômetros. Nos Emirados Árabes, o dinheiro do petróleo tornou tudo possível. Em Dubai, projetos faraônicos estão em plena construção. A cidade, de 1,5 milhão de pessoas, virou um canteiro de obras com custos avaliados em US$ 400 bilhões até 2010. Em uma faixa do deserto no Golfo Pérsico, Dubai passou de um esquecido porto de beduínos para um dos principais centros comerciais e financeiros do mundo. Para garantir esse novo status, os Emirados Árabes aplicaram parte dos lucros do petróleo em desenvolvimento e, assim, começaram uma diversificação da economia para setores de ponta.Hoje, o país concentra 20% de todas as gruas em operação no mundo, perdendo apenas para a China. "Nunca vi tantas como aqui", diz Mariano Domingues, experiente diretor de projetos da Odebrecht nos Emirados Árabes e que está concluindo o aeroporto de Abu Dabi. A norma dos empreendedores é mesmo não ter limites. Complexos de ilhas artificiais imitando o mapa-múndi, com palmeiras e sistema solar, estão em construção. No mar, há até golfinhos sul-americanos e peixes do Caribe. Vale tudo mesmo para atrair os clientes para esses paraísos artificiais. Um empreendimento anunciou uma Mercedes para quem comprar um imóvel, além de ainda concorrer a um sorteio de um jatinho ou de uma ilha no Caribe. Dubai terá, até o final do ano, o prédio mais alto do mundo, o Burj Dubai, com mais de 800 metros. Isso sem contar o luxuoso Hotel Burj Al Arab, com paredes de ouro, 102 elevadores e um custo de construção estimado em US$ 3 bilhões. Para passar duas horas no local, é cobrada uma taxa de US$ 150 dos turistas. Uma diária simples no hotel custa US$ 1,2 mil.A cidade disputa com Rio de Janeiro e Chicago, entre outras, o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Para isso, ergue a "Cidade dos Esportes", com algumas das instalações mais sofisticadas do mundo. Em três anos, Dubai ainda terá um parque de diversões cinco vezes maior que a Disneyworld, em Orlando. Conhecido como Dubailand, o parque terá um estúdio da Dreamworks e o Snowdome, com as maiores pistas de esqui cobertas do mundo.Em Abu Dabi, o governo usa o dinheiro do petróleo para comprar franquias dos museus do Louvre, por US$ 500 milhões, e do Guggenheim, por US$ 200 milhões. No total, gastará US$ 27 bilhões para transformar o local em um centro de turismo cultural.Dados da Associação Internacional de Parques de Diversões apontam que os turistas deixarão nesses locais US$ 200 milhões por ano. Já em 2007, a região apresentou uma alta de 60% nos lucros dos hotéis. As empresas aéreas tiveram também o maior crescimento do mundo em 2007, segundo a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), com 18,4%, ante 8% na América Latina e 6% na Europa.A cidade onde tudo é possível também tem seu impacto na vida prática dos muçulmanos. A rigor, o homossexualismo é ilegal e pode dar prisão, assim como ter um filho antes do casamento. Bebidas, prostituição e drogas também estão proibidas. Mas basta entrar em um hotel de luxo para ver que a realidade é bem diferente e praticamente tudo é possível - embora, em princípio, apenas para os estrangeiros. Na última sexta-feira, um hotel organizou um carnaval, com direito a cachaça, axé music e dançarinas com movimentos bem pouco adequados aos princípios religiosos. As autoridades locais querem ser um exemplo de tolerância em relação às demais religiões para tentar garantir o fluxo de turistas e investidores. Nos centros comerciais, mulheres com minissaia e burca convivem sem diferenças. Não é raro ver uma mulher toda coberta escolhendo cuidadosamente sua lingerie em lojas de famosas marcas francesas. Mas, recentemente, o governo local mandou fechar uma loja depois de as roupas íntimas terem sido colocadas na vitrine de uma forma considerada "indecente". Apesar dos ajustes, nem mesmo as chamadas às orações, feitas cinco vezes ao dia nos alto-falantes dos shoppings, parecem interromper o consumismo.

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