Obrigatoriedade do álcool em gel preocupa usineiros

O custo de embalagem e do processamento do álcool em gel pode inviabilizar o produto, segundo afirmam usineiros, técnicos, químicos e especialistas de mercado ouvidos hoje pela Agência Estado. Medida que prevê a proibição da venda de álcool líquido pelos supermercados, foi divulgada ontem pelo ex-ministro da Saúde José Serra, num de suas últimos atos antes de deixar o cargo. As farmácias poderão vender o álcool líquido, mas apenas em embalagens de até 50 ml.A medida, que visa a segurança do consumidor, ainda não foi analisada por estudos de impacto no mercado. A previsão é de que o novo produto, a ser comercializado em embalagens de 500 gramas, dobre de preço em relação ao álcool líquido, hoje na casa dos R$ 1,70. "Estudos mostram que apenas com a embalagem e o processamento vamos gastar o valor que é cobrado hoje na gôndola, em torno de R$ 1,80, sem contar o álcool. Hoje, o custo total da produção do álcool doméstico fica na faixa dos R$ 0,80", disse o gerente administrativo e financeiro da Usina Nova América, Marcelo Avanzi. A Nova América, localizada em Tarumã, região de Assis, é uma das poucas usinas que fabrica o próprio álcool a ser vendido para uso doméstico. A maior parte vende o álcool para empresas especializadas. O álcool processado pela Nova América, sob a marca D´Aldeia, detém uma parcela pequena do mercado, com apenas um milhão de litros. O Brasil consome hoje cerca de 200 milhões de litros de uso doméstico. "O problema é que se o valor chegar a R$ 2,80, como prevemos, o produto vai concorrer diretamente com os multiusos existentes no mercado, e não dá para prever quem vence esta disputa", comentou Avanzi. Para o empresário Cícero Junqueira Franco, da Usina Vale do Rosário, de Morro Agudo, considerado um dos fundadores do Programa Nacional do Álcool, na década de 70, a embalagem é o principal fator encarecedor do produto.

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