Obstáculos à abertura agrícola continuam nos EUA e UE

A julgar pelas recentes afirmações do representante comercial dos Estados Unidos, Robert Zoellick, e do comissário de Comércio da União Européia, Pascal Lamy, em visita ao País, o próximo presidente do Brasil enfrentará sérias dificuldades na batalha para abrir novos mercados para a agricultura. Zoellick disse que os EUA devem adotar uma posição mais agressiva em relação ao comércio agrícola, focando muito mais nas práticas de outros países do que na defesa de suas políticas. Em outras palavras, o principal negociador norte-americano disse que Washington não muda sua política de subsídios enquanto a União Européia e o Japão não reduzirem seu apoio aos agricultores. "Queremos desempenhar um papel de liderança na Organização Mundial do Comércio (OMC) para maximizar os interesses da entidade. E não aceitaremos os esforços de outros países de tentar resumir a questão dos subsídios às políticas agrícolas dos Estados Unidos", afirmou. Neste ano, os americanos aprovaram uma lei agrícola que eleva em bilhões os subsídios à produção.A luta pelo fim do protecionismo e dos subsídios à agricultura nos EUA e na Europa é assunto de destaque nos discursos dos candidatos a presidente do Brasil. Ontem mesmo, José Serra (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disseram ao Comissário de Comércio da União Européia, Pascal Lamy, em encontros diferentes, que eliminar as barreiras e os subsídios contra a agricultura brasileira será prioridade, se eleitos. Lamy reiterou que a política agrícola européia está hoje muito mais aberta do que há 20 anos, quando foi criada, mas já admitiu publicamente que dificilmente a ajuda oficial aos agricultores europeus terminará.Zoellick afirmou que os Estados Unidos já apresentaram à OMC uma proposta para eliminar os subsídios à exportação em cinco anos. Na realidade, a OMC pretende discutir a eliminação de todos os tipos de subsídios à agricultura. Os EUA querem iniciar as negociações pelos subsídios à exportação. Nos últimos anos, os EUA já promoveram uma ampla redução desse tipo de ajuda. Mas, em contrapartida, elevaram os subsídios à produção, no mesmo período. A Europa destina às vendas externas boa parte dos seus recursos de ajuda, mas a reforma de sua política agrícola deve reduzir o montante, possivelmente destinando-o à produção.A OMC definiu o teto para subsídios à produção em US$ 60 bilhões ao ano para a União Européia, US$ 30 bilhões para o Japão e US$ 19 bilhões para os Estados Unidos. "Queremos harmonizar e equalizar os subsídios no patamar mais baixo para só então eliminarmos o auxílio", afirmou Zoellick.

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