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OCDE alerta para forte desaceleração na economia brasileira

Segundo a Organização, deterioração ainda continuará pelos próximos seis meses, sem sinal de inflexão

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

11 de maio de 2009 | 18h17

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta que o Brasil vive uma "forte desaceleração" de sua economia e que a deterioração continuará ainda pelos próximos seis meses, sem ainda sinal de uma inflexão. Em março, o desempenho da economia brasileira foi o pior entre todos os países do BRICs (China, Índia e Rússia, além de Brasil) e do G7 (Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Alemanha, Japão, França e Canadá).

 

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O pico da expansão no Brasil, segundo a OCDE, ocorreu em junho do ano passado e, desde então, a economia vem perdendo força. O levantamento ainda aponta que, pela primeira vez, as economias da França, Itália e Reino Unido dão sinais de que chegaram ao fundo do poço, com indicações de uma " pausa na recessão " e, em alguns casos, uma tímida retomada. A zona do euro também deu seus primeiros sinais de um freio na contração das atividades. A China foi outra que deu indicações de uma " pausa " em sua queda e com sinais de uma retomada.

 

Os índices da OCDE são calculados com base em uma série de dados econômicos dos principais mercados, e não apenas a redução ou expansão do PIB. O objetivo é o de estabelecer as tendências nos ciclos de crescimento e de recessão dos países.

 

O índice criado pela entidade seria capaz de avaliar pontos de pico em um processo, com base em indicadores de produção industrial dos países, desemprego, expansão do PIB e indicadores de confiança.

 

Segundo esse índice, o Brasil perdeu 1,9 pontos, passando de um total de 94,7 em fevereiro para 92,7 pontos em março. Em novembro, o País atingia 101,1 pontos na

escala da OCDE.

 

A queda em março foi a maior entre todos os países avaliados pela OCDE. A Rússia teve uma queda de 1,4, contra uma redução de 0,3 na Índia. O G7 também registrou uma queda de 0,3 pontos, mas uma taxa mais suave que vinha sendo registrado nos últimos meses. A tendência indicaria que a pior parte da recessão já teria sido superada, mas que a retomada ainda não seria suficiente para compensar pelas perdas dos últimos 12 meses.

 

A maior queda continua sendo registrada no Japão. Nos Estados UNidos, a redução foi de 0,6, ainda assim menor que as taxas registradas nos últimos meses de 2008. No geral, o grupo de países ricos ainda mostrou uma forte desaceleração de suas economias.

Mas alguns países deram sinais positivos. A China subiu 0,9 pontos, somando 93 pontos em março. Para a OCDE, Pequim possivelmente teria chegado no fundo do poço e começaria uma tímida recuperação. O mesmo poderia ser visto na França.

 

Reino Unidos e Itália. A OCDE admite que os sinais de uma pausa na recessão dessas economias são ainda fracos. Mas pelo menos são indicações de que a queda não está se aprofundando para esses países.

 

No restante dos países, o cenário ainda é de deterioração ainda do ciclo econômico. Mas pelo menos essa queda está ocorrendo em um ritmo mais brando. Na zona do Euro, o indicador já seria até mesmo positivo, liderado pela França e Itália. O que surpreende a OCDE é que, salvo no caso da China, os demais países emergentes também estão sofrendo uma deterioração nas condições econômicas.

 

Apesar do otimismo moderado da OCDE, dados industriais divulgados ontem pelos governos europeus mostraram a profunda da queda. Em março, a queda na produção industrial em março foi de 24%, contra uma queda de 16% na França. Na Alemanha, a produção de aço caiu em 53% em abril. Já a previsão é de uma queda de 4% no PIB da zona do euro.

 

Em comparação a março de 2008, os índices da OCDE apontam que a queda de fato foi profunda em todos os países ricos e emergentes. Na área da OCDE, a queda foi de 9,5 pontos. Nos Estados Unidos, a redução foi de 11,8 pontos, contra 12,3 pontos do Japão.

 

A leve recuperação da zona do euro entre fevereiro e março não foi suficiente para compensar a forte queda dos últimos doze meses. Mesmo a expansão da França de 1,2 pontos - mostrando sinais de retomada - ainda não fio suficiente para reverter a queda dos últimos doze meses. A pior situação é mesmo da Alemanha, com uma queda anual de 14,2 pontos.

 

Em relação à situação de março de 2008, o Brasil só não sofreu uma queda maior que a Rússia. A Índia caiu 9,4 pontos, mas ainda tem sua situação em plena deterioração. Na China, a queda é de 9,5 pontos, mas já vem saindo da situação mais critica.

 

Os russos foram os membros do grupo dos países do BRIC que mais teriam sofrido com a crise, com uma queda anual de 21,8 pontos. O Brasil vem em segundo lugar, com 13,2 pontos perdidos.

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