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OCDE capta sinal de desaceleração no Brasil

Dados da entidade divulgados ontem mostram ainda que ricos deve registrar freada forte

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta que a economia brasileira dá os principais sinais reais de que está ameaçada e pode entrar em uma fase de desaceleração de seu crescimento. A advertência foi feita com base nos principais índices econômicos do País e apresentados ontem na Europa. A entidade ainda aponta que haverá uma desaceleração ainda mais profunda das economias ricas do mundo. Segundo a OCDE, a avaliação sobre o Brasil é a "menos negativa" entre os países emergentes e entre as sete maiores economias do mundo. No caso da China, Índia e Rússia, os indicadores mostram uma desacelaração já confirmada."A mensagem do Brasil é mista, mas os últimos dados mostram sinais de uma possível desacelaração", afirmou a OCDE em um comunicado divulgado ontem. Enquanto Europa, Estados Unidos e Japão são classificados como tendo sofrido uma "forte desaceleração", o Brasil é classificado apenas como "possível desaceleração". Mas mesmo assim, os dados sobre o País deixam de ser positivos. Em agosto, o Brasil havia sido praticamente o único país entre os 29 avaliados pela OCDE que mantinha uma expansão de sua economia. A economia brasileira apareceu nos dados de agosto como ainda em expansão.Já em setembro, o índice criado pela OCDE mostrou uma queda. O índice estabelecido pela OCDE serve como um instrumento analítico para que se possa identificar expansões e contrações futuras da economia dos principais mercados mundiais. Entre agosto e setembro, o Brasil teria sofrido uma queda de 1,6 ponto, chegando a 106,2 pontos. Em relação a setembro de 2007, o Brasil não sofreu alteração. A economia brasileira foi a única que não apresentou dados negativos entre setembro de 2007 e 2008. Mas também não demonstrou uma expansão. A queda entre agosto e setembro ainda interrompe uma expansão que vinha ocorrendo desde 2003. Nesta semana, o Fundo Monetário Internacional estimou que a economia brasileira sofreria uma queda e que sua taxa de crescimento será de 3% em 2009. A OCDE, com os dados, enterra a tese que se promulgava em várias entidades de que, pela primeira vez, os países emergentes poderiam sair ilesos de uma turbulência internacional. "Isso foi mesmo um mito que alguém inventou", atacou um dos economistas que organiza os dados da OCDE. A esperança dos países ricos, quando a crise começou, era de que as economias emergentes conseguiriam manter seu ritmo de crescimento e que, assim, a economia mundial não sofreria da mesma forma.De acordo com a OCDE, o índice da China diminuiu 0,7 ponto em agosto de 2008 e 3,2 pontos menores do que há um ano. Na Índia, a redução foi de um ponto em agosto, com queda 6,6 pontos em relação a agosto do ano passado. Já na Rússia houve queda de 2,7 pontos porcentuais em setembro e 2,2 pontos a menos do que o registrado há um ano.Os dados da OCDE indicam que as sete maiores economias do mundo sofreram um desaquecimento ainda maior no mês de setembro, atingindo níveis que não eram vistos há dez anos. Os indicadores para as economias ricas caíram de 95,9 pontos em agosto para 94,3 pontos em setembro. A queda é de 6,1% pontos em relação a setembro de 2007. O índice é a soma de avaliações de desemprego, crescimento do PIB, da renda per capta e de outras informações econômicas dos países. Não por acaso, a OCDE classifica o cenário futuro dos países ricos de ''forte desaceleração''. A maior queda ocorre na Alemanha, que já entra em uma fase de recessão e que, em 2009, deve crescer apenas 0,2%. O Japão também está entre as economias que mais devem sofrer. A situação também não é nada boa para o Reino Unido, com seu índice em queda de 7,5 pontos em relação a setembro de 2007, e para os EUA. Ambos devem sofrer queda forte nos próximos meses ainda.

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