OCDE cobra no FMI melhora da situação fiscal do Brasil

O secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurría, cobrou, no final da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma "melhora prolongada" na situação fiscal do Brasil e Índia, citando que os dois países são o que mais precisam de ajustes nas contas do governo entre os principais mercados emergentes. O secretário afirmou, ainda, que a inflação no Brasil e na Índia está acima da meta e, por isso, a política monetária precisa continuar restritiva, ou seja, de juros altos.

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, ENVIADO ESPECIAL, Estadão Conteúdo

12 de outubro de 2014 | 12h27

Gurría fez um discurso no encerramento da reunião do Comitê Monetário Financeiro Internacional (IMFC, na sigla em inglês), órgão que dá as diretrizes políticas para o FMI. Ele pediu um redesenho das normas de política fiscal no Brasil e sugeriu que o País adote uma regra de gastos públicos ligada ao ciclo econômico. Medidas assim seriam uma forma de dar credibilidade às contas públicas e mostrariam compromisso do governo em reforçar o superávit primário durante a fase de recuperação da economia. Em sua declaração entregue ao IMFC, o Brasil é citado três vezes, falando das políticas fiscal e monetária.

O secretário da OCDE foi outro a alertar durante a reunião do FMI sobre o fraco crescimento mundial e dos riscos de piora da atividade econômica. A expansão do Produto Interno Bruto (PIB) dos diversos países deve ser mais vigorosa na segunda metade de 2014 e em 2015, mas a recuperação até agora tem mostrado números decepcionantes. "As taxas de expansão permanecem bem abaixo do que aquelas vistas antes da crise e tem havido uma crescente divergência entre as principais economias", afirmou no discurso. Enquanto os Estados Unidos crescem mais, a zona do euro patina. Nos emergentes, o PIB da Índia se fortalece e o da China mostra uma desaceleração suave.

Os países emergentes, alertou Gurría, podem enfrentar maior volatilidade à frente. Desde a crise financeira de 2008, apareceram novos riscos na economia mundial. A liquidez no mercado financeiro aumentou e os investidores tomaram mais risco, destacou. As baixas taxas de juros nos países desenvolvidos estimularam as empresas a captar mais recursos no exterior. Mesmo com o aumento das tensões geopolíticas e da incerteza, os índices de algumas bolsas mundiais continuaram batendo recordes de pontos, disse o secretário. "A divergência no crescimento e nas políticas econômicas entre as principais economias pode aumentar a volatilidade nos preços dos ativos e colocar os emergentes em pressão renovada."

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