Estadão
Estadão

Protecionismo e incertezas afetam crescimento global, diz OCDE

Previsão para a evolução do PIB do Brasil neste ano cai de 2% para 1,2%; Argentina preocupa mais, afirma entidade

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2018 | 09h13
Atualizado 20 Setembro 2018 | 22h30

PARIS - A economia mundial está em fase de desaceleração em decorrência dos primeiros impactos das medidas protecionistas e das incertezas crescentes que pesam no cenário internacional. O diagnóstico foi feito ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris.

De acordo com a entidade, o crescimento mundial será de 3,7% em 2018 e em 2019, mas as diferenças de performance entre os países está crescendo, ao contrário da expansão geral verificada em 2017. A organização também cortou as projeções de crescimento do Brasil, de 2% a 1,2% em 2018, e de 2,8% a 2,5% em 2019.

Dez anos após a maior crise financeira desde 1929, a economia mundial volta a ingressar em um momento obscuro, com projeções negativas. Em seu último relatório de perspectivas, a organização prevê o recuo do nível de crescimento da maior parte do G-20 – o grupo de maiores economias do mundo –, exceto de EUA e China.

O paradoxal é que a desaceleração se dá por um conjunto de motivos, o primeiro deles a guerra comercial iniciada pela administração de Donald Trump nos Estados Unidos, e que provocou represálias da China e da Europa, entre outros países. Além disso, a OCDE evoca a mudança de tendência das políticas monetárias, até aqui marcada pelos juros baixos; os riscos políticos, que vão do Brexit – o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia – ao populismo na Itália, passando pelas eleições no Brasil; e enfim a tomada riscos financeiros, que voltou a crescer uma década após a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers.

“As tensões comerciais começam ter efeitos, e elas já causam consequências negativas sobre a confiança e os projetos de investimento”, estima Laurence Boone, economista-chefe da OCDE. Pelas projeções da entidade, o comércio mundial já se desacelera, com previsão de aumento de 3% em 2018, ante 5% em 2017. “O crescimento das trocas comerciais parou, as restrições tiveram fortes efeitos setoriais e o nível de incerteza em torno das orientações comerciais continua elevado. É urgente que os países rompam com a tendência de aumento do protecionismo, reforcem o sistema comercial mundial fundado em regras e favoreçam o diálogo internacional.”

O organização advertiu ainda para o risco crescente de instabilidade em países emergentes. Dois casos foram citados como mais problemáticos: Turquia e Argentina. No caso da economia argentina, a projeção é bem mais pessimista que a do governo de Mauricio Macri: recessão de 1,9% – ante 1% previsto pelos órgãos oficiais para 2018.

Embora os prognósticos sejam menos dramáticos para Brasil do que para seu vizinho da América Latina, a OCDE também se disse preocupada com a instabilidade no quadro político, o que explica em parte a queda de 2% para 1,2% na projeção de crescimento para 2018. Outra explicação são os efeitos da greve dos caminhoneiros, que paralisou parcialmente o País, represando a atividade econômica.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.