OCDE defende contrato único no mercado de trabalho

O economista-chefe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Jean-Philippe Cotis, defendeu nesta terça-feira, 13, um contrato de trabalho único que represente "um meio termo" entre o temporário e o fixo para atenuar a crescente dualidade nos salários registrada por causa da globalização e das novas tecnologias.A idéia é "um contrato de trabalho que proteja mais os jovens" emenos as pessoas que trabalham há muito tempo, porque "é preciso sair do sistema dual" do mercado de trabalho, afirmou Cotis em entrevista coletiva para apresentar o relatório "Objetivo de Crescimento 2007" sobre as reformas prioritárias nos países da OCDE.No estudo, o economista-chefe afirma que, em países comoAlemanha, Espanha e França, onde a proteção do emprego fixo "é muito estrita, jovens e mulheres estão excluídos do mercado de trabalho e fazem carreiras erráticas".Cotis diz ainda que a experiência de outros países europeusmostra que se pode conseguir um sistema mais eqüitativo e propõe "contratos permanentes nos quais os custos por demissão sejam menos imprevisíveis para as empresas e assegurem aos trabalhadores garantias em termos de renda e de reinserção no emprego".Com base no modelo austríaco, a proposta é que empresa etrabalhadores abram contas individuais das quais os assalariadospoderiam se beneficiar em caso de demissão.Se isto ocorrer, a indenização por demissão seria em função dotempo em que a pessoa está no mercado de trabalho, e não somente na última empresa na qual trabalhou."É urgente reformar a proteção do emprego, porque temos umentorno que polariza o mercado de trabalho, e os sistemas deproteção de emprego muito estritos agravam esta polarização",argumentou.A OCDE constatou que em seus países-membros há um sentimento de que as desigualdades salariais estão aumentando.A organização admite que "as novas tecnologias da informação e a concorrência das grandes economias emergentes parecem exercer uma influência negativa sobre o emprego e a renda das pessoas menos qualificadas, enquanto melhoram as perspectivas dos mais qualificados".

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