OCDE destaca baixo crescimento econômico no Brasil

O Brasil pode ter revisto o cálculo de seu Produto Interno Bruto (PIB) e, com isso, elevado sua participação entre os maiores mercados do mundo. Mas em um raio X da situação das principais economias do planeta, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), deixam claro que o País tem um longo caminho a percorrer para superar suas deficiências na área econômica e social. Na economia, por exemplo, o Brasil já está há mais de 15 anos patinando para tentar acompanhar o ritmo de crescimento do PIB da China, Rússia, Índia, África do Sul e México. Desde o início dos anos 90, o crescimento médio anual brasileiro foi de 2,9%. A taxa é um pouco superior à média dos países ricos, que tradicionalmente crescem a um porcentual menor que os emergentes diante do tamanho de suas economias. Entre 1992 e 2005, o aumento do PIB das economias desenvolvidas foi de 2,6%. Enquanto a Coréia e Irlanda apresentaram aumentos de mais de 5% por ano em média em suas economias, outras como Alemanha, França, Itália e Japão cresceram menos de 2%. No caso do Brasil, porém, o País ficou atrás de todos os países emergentes avaliados pela OCDE. A China apresentou um crescimento médio de 9,7%, seguido pela Índia com 6,5%, Rússia e Turquia com 3,8%, México com 3,1% e a África do Sul com 3%. O Brasil chegou a ter anos de crescimento elevado, como 1994 quando registrou uma alta de 5,9%. Mas em média teve um desempenho nos últimos 15 anos inferior ao Reino Unido, Espanha, Noruega, Grécia e Estados Unidos, que cresceu 3,2%. Investimento baixo Um dos fatores que é considerado como problemático no País é o nível de investimentos internos em formação de capital, seja na compra de máquinas e equipamentos, seja na construção de novas instalações para fábricas. No geral, os investimentos nessa área representam 21% do PIB nos países ricos. No Brasil, a taxa foi de 19,9% em 2005, contra mais de 43% na China, 27% na Irlanda e 29% na Espanha. O que também preocupa aos economistas da OCDE é que a taxa brasileira tem se mantido inalterada desde 1992. No que se refere aos investimentos externos à economia brasileira, o País foi o 12ª maior destino entre 2003 e 2005 de recursos estrangeiros. No ranking, os americanos são os primeiros, seguido pelo Reino Unido e China. Os investimentos registraram US$ 10 bilhões em 2003, US$ 18 bilhões em 2004 e US$ 15 bilhões em 2005. Os valores são bem superiores ao volume registrado em 1992, quando o País recebeu apenas US$ 2 bilhões em investimentos. Mas longe dos US$ 32 bilhões registrados em 2000. No total, os estoques de investimentos estrangeiros no Brasil até 2005 somaram US$ 180 bilhões, contra US$ 536 bilhões na China e US$ 6,7 trilhões nos países ricos. Segundo a OCDE, o Brasil está entre os 20 maiores investidor no exterior entre 2003 e 2005. As empresas brasileiras ainda têm estoques de US$ 69 bilhões investidos no exterior, contra US$ 107 bilhões da Rússia e US$ 2,3 trilhões dos Estados Unidos. Importação No que se refere ao comércio, a OCDE destaca que o Brasil apresentou o menor crescimento em termos de importações entre 1992 e 2005. Os demais países emergentes como China, Índia, Turquia e México estiveram entre os que mais incrementaram suas compras nesse período. Mesmo os países ricos tiveram um aumento de importação bem superior ao do Brasil. De outro lado, o Brasil apresentou o oitavo maior crescimento de exportações entre os 35 países avaliados. Não por acaso, em 2005, o País somou o oitavo maior superávit do mundo, com US$ 40 bilhões. A líder foi a Alemanha, com US$ 200 bilhões, seguido por China e Rússia.

Agencia Estado,

02 Abril 2007 | 16h56

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