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OCDE melhora projeção para o Brasil e agora vê expansão de 0,3% do PIB em 2017

Para este ano, porém, expectativa da organização é de queda maior, passando de -3,3% para -3,4%

Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2016 | 13h09

SÃO PAULO - A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou há pouco suas novas projeções para a economia global. No caso do Brasil, a expectativa para este ano passou de -3,3% para -3,4%, mas para 2017 houve melhora, passando de previsão de estabilidade para crescimento de 0,3%. Pela primeira vez a instituição divulgou sua projeção para 2018, estimada em expansão de 1,2%.

"No geral, o crescimento dos emergentes deve acelerar levemente nos próximos dois anos, puxado por uma suavização gradual da recessão no Brasil, Rússia e outros países produtos de commodities", diz o relatório da OCDE. Segundo a entidade, os dois gigantes emergentes serão ajudados por uma melhora nos preços das commodities, recentes aumentos na confiança e apoio da política monetária, à medida que a inflação perde força. "No Brasil, a taxa de juros deve ser reduzida gradualmente do atual nível de 14% para 10% no fim de 2018", acrescenta o texto.

A entidade explica que a recuperação econômica do Brasil deve ser limitada pela alta dívida do setor corporativo e a significativa capacidade ociosa em alguns segmentos. Segundo a OCDE, inicialmente o aumento lento dos salários e a contínua contração no crédito vão limitar a expansão do consumo, embora uma taxa básica de juros menor possa eventualmente permitir recuperação desse componente.

Sobre possíveis ameaças para o Brasil, a entidade afirma que os riscos políticos diminuíram, mas ainda podem prejudicar a implementação final das novas regras fiscais.

A OCDE lembra que o governo está implementado a PEC do Teto dos Gastos e que, junto com a planejada reforma da Previdência e nos benefícios sociais, isso deve fortalecer a sustentabilidade fiscal. "Essas reformas podem simultaneamente levar a fortes quedas na desigualdade de renda, ao melhorar o foco dos programas sociais", afirma o relatório.

A organização diz que a postura fiscal é levemente contracionista para os próximos dois anos, equilibrando de maneira adequada as exigências de estabilidade macroeconômica e a necessidade de restaurar a sustentabilidade das finanças públicas por meio de uma trajetória de consolidação credível no médio prazo. "Um ajuste fiscal efetivo permitiria um maior afrouxamento da política monetária e ajudaria na recuperação dos investimentos", aponta.

A organização diz que, no lado das receitas, há um espaço considerável para reduzir a complexidade e os custos de compliance, com a consolidação de impostos indiretos nos níveis federal e estadual, com a criação de um imposto sobre valor agregado (VAT, na sigla em inglês) de ampla base.

A OCDE aponta que a confiança de consumidores e empresas está subindo, além de o investimento estar se fortalecendo. Mesmo assim, o desemprego deve continuar subindo até meados do ano que vem e cair muito gradualmente depois isso.

Orientação da OCDE é reduzir barreiras ao comércio externo, o que diminuiria os custos das empresas com importações de insumos e melhoraria a produtividade. "Uma maior integração comercial beneficiaria em particular pessoas de baixa renda, já que a expansão do setor exportador teria um maior impacto na demanda por funcionários com pouca qualificação".

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