Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

OCDE piora perspectiva para o Brasil e agora projeta queda do PIB de 0,5% em 2015

A previsão anterior era de crescimento de 1,5%; entre 11 países e regiões pesquisadas pela OCDE, o Brasil é o único que deve ter recessão neste ano

Fernando Nakagawa, O Estado de S. Paulo

18 de março de 2015 | 08h45

LONDRES - A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que o Brasil entrará em recessão em 2015. A estimativa foi divulgada na manhã desta quarta-feira, 18, na atualização do cenário econômico da entidade que reúne as principais economias desenvolvidas do planeta. Entre 11 países e regiões econômicas listadas nas previsões da OCDE, o Brasil é o único que deve ter contração neste ano.

A previsão da entidade para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2015 caiu de +1,5%, conforme cenário divulgado em novembro de 2014, para -0,5%. Entre os demais emergentes, a China deve crescer 7% e a Índia deve avançar 7,7%. A previsão para a China caiu 0,1 ponto ante novembro e para a Índia subiu 1,3 ponto porcentual.  

Para 2016, a estimativa para o Brasil também piorou e a aposta da OCDE de crescimento caiu de +2% para +1,2%. Apesar de estar no campo positivo, a previsão para o País é a mais fraca do grupo de 11 economias. O Brasil deve crescer menos que a Itália (+1,3%) e Japão (+1,4%) no ano que vem. Entre os emergentes, a China deve desacelerar para 6,9% e a Índia deve acelerar para 8% no próximo ano.

Crise no Brasil. Segundo a OCDE, a queda dos preços das commodities, fenômeno que vai além do petróleo, explica o pessimismo com países como o Brasil e Canadá. A situação brasileira, porém, parece pior com o aperto fiscal e monetário em curso, crise política e a situação da Petrobrás. O fenômeno contracionista que a queda das commodities gerará em algumas economias foi um dos destaques da atualização do cenário econômico da OCDE. "As perspectivas provavelmente piorarão para muitos países exportadores de commodities e o Brasil cairá em recessão", destaca o relatório.

O departamento econômico da OCDE entende que o País sofre dupla pressão negativa. De um lado, a queda das commodities e a desaceleração da China tendem a reduzir a receita com exportações e a demanda por produtos brasileiros no exterior. Além disso, o País sofre com problemas internos. "As perspectivas de curto prazo também estão sendo restringidas pelo aperto monetário e fiscal, além da incerteza política", destaca o relatório. 

A economista-chefe da OCDE, Catherine Mann, citou a crise na Petrobrás. "No Brasil, a dificuldade vem da falta de investimentos e a Petrobrás responde por 10% dos investimentos no País. A queda do petróleo é um problema real para o Brasil", disse.

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"No Brasil, a dificuldade vem da falta de investimentos e a Petrobrás responde por 10% dos investimentos no País", diz a economista-chefe da OCDE, Catherine Mann
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Outras economias. A perspectiva da economia mundial melhorou nos primeiros meses de 2015 como resultado dos preços de petróleo mais baixos e apoio oferecido por medidas adicionais de estímulos de bancos centrais, afirmou a OCDE. Mas a entidade alertou que a dependência excessiva na política monetária em relação ao crescimento representa um perigo para a estabilidade no sistema financeiro, incluindo a elevada tomada de risco e crédito, além de taxas de câmbio que não refletem as circunstâncias econômicas fundamentais.
A OCDE afirmou que a apreciação do dólar contra outras moedas importantes está contribuindo para a baixa inflação na maior economia do mundo e pode enfraquecer o crescimento ao limitar as exportações. Assim, o grupo prevê que o Federal Reserve deverá postergar um aumento de juros até que haja sinais de que as economias da Europa estão se fortalecendo e que o euro esteja pronto para ganhar terreno. Muitos economistas preveem que o Fed pode começar uma ciclo de aperto em junho. "A questão sobre quando o Fed vai sair de juros zero depende muito na possibilidade de a Europa se recuperar", afirmou Catherine Mann em uma entrevista ao Wall Street Journal.

No primeira atualização das projeções para 2015, a OCDE disse que prevê agora que as economias para as quais faz estimativas - que respondem por 70% da atividade mundial - devem crescer em 4% neste ano e 4,3% no próximo. Em novembro, a OCDE previa expansão de 3,9% e 4,1%, respectivamente. A OCDE manteve a previsão de crescimento dos EUA em 3,1% em 2015 e 3% em 2016.

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