Marcos Santos/USP Imagens
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OCDE piora previsão para PIB do Brasil de -4% para -4,3% em 2016

Relatório de Perspectivas Econômicas da entidade vê cenário brasileiro com pessimismo e cita incertezas políticas e casos de corrupção como razões da queda da confiança

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2016 | 08h23

LONDRES - A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) piorou novamente as previsões para a economia do Brasil. Agora, a entidade acredita que a recessão continuará em 2017 e o País terá três anos seguidos de queda do Produto Interno Bruto (PIB). A OCDE diz que a chegada do governo Michel Temer não resultará no fim das incertezas e da instabilidade política e argumenta que a confiança só voltará quando avançarem as medidas fiscais e as reformas estruturais.

No documento Economic Outlook, a OCDE prevê que a queda do PIB do Brasil neste ano deverá ser de 4,3%. A estimativa anterior era de contração de 4%. Para 2017, a organização prevê que a recessão continuará com diminuição do produto de 1,7%. Há menos de quatro meses, em 18 de fevereiro, a entidade previa que a atividade seria estável - com crescimento zero - no próximo ano.

"A profunda recessão deve continuar em 2016 e 2017 diante do cenário de elevada incerteza política e as revelações sobre corrupção em curso, o que tem minado a confiança do consumidor e das empresas e gera contínua contração na demanda doméstica", cita o documento apresentado pela entidade em Paris.

O documento menciona que "um procedimento de impeachment presidencial está atualmente em curso e um governo interno foi formado" no Brasil. "Mas é provável que a incerteza e a instabilidade política permaneçam", cita o documento. "No cenário-base, a situação política continuará altamente incerta durante todo o período da projeção (até 2017) e os níveis de confiança permanecerão contidos".

Entre as consequências da recessão persistente, o relatório chama atenção para o aumento do desemprego. A OCDE nota que o universo de brasileiros sem trabalho cresceu em quase 2 milhões nos últimos 12 meses. Esse problema deve ficar ainda mais evidente. "Como a economia encolhe, o desemprego tende a aumentar ainda mais", cita o texto que menciona ainda que a falência de empresas e a dívida corporativa são outros problemas.

Com tom pessimista, o relatório resume a situação ao afirmar que "a demanda doméstica não mostra quaisquer sinais significativos de recuperação".

Um dos poucos pontos positivos é o comércio exterior. A OCDE lembra que a crise resultou na desvalorização do real e isso tem ajudado exportadores. "Apenas o crescimento das exportações continua sólido impulsionado por uma taxa de câmbio mais competitiva e empresas aproveitando gradualmente as novas oportunidades", cita o texto. Por outro lado, as importações tendem a continuar retraídas pela recessão. Assim, o déficit em conta corrente diminuirá ainda mais. A OCDE prevê déficit em conta corrente equivalente a 1,4% do PIB em 2016 e saldo negativo de 0,8% do PIB em 2017.

Inflação. A inflação brasileira só deve começar a cair mais evidentemente em 2017, segundo a OCDE. A despeito da recessão persistente, a entidade prevê que os preços ao consumidor devem subir 9,2% em 2016 e a inflação só voltará para dentro da meta em 2017.

"A inflação anual cai lentamente enquanto a recessão reduz a pressão inflacionária e o forte aumento dos preços administrados no começo de 2015 começam a sair da janela de 12 meses. Ainda assim, a inflação continua bem acima do teto da meta de 6,5%", cita o documento da OCDE.

Com o passar dos meses, a persistência da recessão e o aumento do desemprego previsto, a desaceleração dos preços será mais evidente no próximo ano. A OCDE prevê que a inflação terá alta de 5,7% em 2017. "A inflação desacelerará diante da fraca atividade e a autoridade monetária estará em uma posição para reduzir a taxa de juros", cita o documento. "Embora continue a ser restritiva, a política monetária vai relaxar um pouco diante desse declínio".

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