OCDE prevê crescimento forte do País, mas alerta para gastos

Em relatório, Organização prevê PIB de 4,7% neste ano, mas diz que País precisa retomar reformas estruturais

João Caminoto, da Agência Estado,

06 de dezembro de 2007 | 09h56

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) previu nesta quinta-feira, 6, que a economia brasileira deve continuar se expandindo num ritmo forte nos próximos dois anos, mas demonstrou preocupação com os crescentes gastos públicos do País. Em seu relatório semestral "Perspectiva Econômica", a entidade prevê que o PIB brasileiro vai crescer 4,7% neste ano e 4,5% em 2008 e 2009.  "O conjunto da política macroeconômica, no geral, respalda uma expansão contínua até o final de 2009", disse a OCDE, que congrega trinta das economias mais desenvolvidas do mundo. "Mas o corrente crescimento do gasto público deveria ser contido no médio prazo." O economista Luiz de Mello, responsável pelo Brasil na OCDE, avaliou como "positivas" as perspectivas do País. "Estamos vendo condições de um crescimento sustentado nos próximos anos", disse Mello à Agência Estado. "Mas reiteramos que o Brasil precisa limitar seus gastos públicos, que vêm crescendo nos últimos tempos, além de retomar o processo de reformas estruturais." A OCDE observou que o crescimento econômico brasileiro se acelerou neste segundo semestre. "O consumo privado continua a estimular a atividade, ancorado nos fortes aumentos no crédito e crescentes salários", disse. A expansão do investimento tem sido "particularmente aguda" e o desempenho das exportações continua robusto. "Mas uma vigorosa alta nas importações, especialmente de bens de capital e insumos intermediários, está começando a pesar sobre o superávit comercial", disse. Segundo o relatório, o Brasil vai registrar em 2007 um superávit em conta corrente de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2008 e 2009, a conta corrente ficará deficitária, em 0,1% e 0,4%, respectivamente. Inflação A OCDE prevê que a inflação ao consumidor neste ano será de 3,9%. Para os dois próximos anos, ela deverá ficar em 4%. "A inflação continua bem abaixo do centro da meta, apesar de um repique em meados deste ano causado pela alta nos preços de alimentos.  O relatório salienta que um ciclo de dois anos de redução nos juros foi interrompido em outubro por causa do fortalecimento da demanda. "Um impulso fiscal é esperado para o final deste ano e em 2008 por causa de uma inesperada execução atrasada de compromissos de investimentos de um pacote pró-crescimento (PAC) anunciado em janeiro", disse.

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